Evodux Intelligence
Análise de Mercado · 07 de junho de 2026
Série Eficiência Estrutural · Segundo estudo

Saving Cirúrgico Estrutural

O que 4.800 protocolos cirúrgicos precificados revelam sobre eficiência de custo para operadoras e prestadores
Base empírica
4.800
protocolos cirúrgicos precificados
Saving por evento
R$500 a R$3k
por procedimento cirúrgico
Vetor dominante
66%
saving oriundo da padronização de insumos
Introdução
O mercado de saúde suplementar brasileiro realizou 3,3 milhões de cirurgias em 2024 nos hospitais associados à Anahp, em um setor onde as despesas assistenciais totais atingiram R$ 273 bilhões e a margem EBITDA hospitalar recuou para 10,7% no segundo trimestre de 2025. Nesse contexto, operadoras e hospitais negociam o evento cirúrgico sem que nenhum dos dois lados disponha do custo real da jornada como instrumento de contratação. A análise de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados demonstra que essa assimetria tem custo mensurável: entre R$ 500 e R$ 3.000 por procedimento em quatro categorias de complexidade, com saving crescente conforme a presença e o peso de OPMe no custo do evento.

Este estudo é o segundo da série Evodux Intelligence sobre eficiência estrutural na saúde suplementar brasileira. O primeiro, dedicado ao Déficit Cirúrgico Estrutural, demonstrou que centros cirúrgicos privados operam com 30% de ocupação média e remuneração abaixo do custo real em 70% dos 134 tipos de pacotes cirúrgicos avaliados, com gap médio de R$ 4.750 por procedimento. O presente estudo avança sobre esse diagnóstico e demonstra o lado da solução: como a precificação estruturada da jornada cirúrgica completa gera saving mensurável e consistente para operadoras e prestadores simultaneamente.

A tese central é que o saving cirúrgico não é produto de corte assistencial nem de renegociação de tabela. É produto de dois mecanismos específicos: a padronização de insumos por protocolo, responsável por 66% do saving, e a escolha estruturada do tipo de protocolo adotado, responsável pelos 34% restantes. Esses dois mecanismos operam dentro do evento cirúrgico e preservam qualidade assistencial enquanto comprimem custo unitário por procedimento.

Nota metodológica
Os dados de saving por categoria (R$ 500, R$ 2.000, R$ 3.000 por evento) e a distribuição por vetor (66% padronização de insumos, 34% tipo de protocolo) são extraídos da base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados pela Evodux, coletados entre 2022 e 2025. Os cases institucionais são apresentados de forma anonimizada, identificados por porte, região e período de acompanhamento. Os dados de mercado têm fonte primária declarada em cada exhibit. Nenhum dado foi extrapolado sem base empírica declarada neste estudo.
Executive Summary

Cinco afirmações sobre saving cirúrgico estrutural

1
A precificação da jornada cirúrgica completa transforma o evento cirúrgico de custo variável não gerenciável em unidade de análise econômica precisa. A análise de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados demonstra que o saving por evento varia entre R$ 500 em cirurgias de baixa complexidade sem OPMe, R$ 1.200 em cirurgias de média e alta complexidade sem OPMe, R$ 2.000 em cirurgias de alta complexidade com OPMe de grande porte e R$ 3.000 em cirurgias hemodinâmicas e vasculares, onde OPMe representa até 82% do custo total do evento, com dois vetores dominantes: a padronização de insumos, responsável por 66% do saving, e o tipo de protocolo adotado, responsável pelos 34% restantes.
2
O saving gerado pela precificação de protocolos não é produto de corte assistencial. É produto da eliminação de variação injustificada de conduta e da substituição da aquisição fragmentada de insumos pela padronização por protocolo. Os dois mecanismos atuam simultaneamente, preservam qualidade assistencial e comprimem custo unitário por evento, o que os distingue estruturalmente de qualquer iniciativa de contenção de despesa baseada em restrição de acesso ou glosa.
3
O valor do protocolo precificado é modulado pelo custo/hora do centro cirúrgico, variável que reflete diretamente o grau de ociosidade da estrutura instalada. Um estudo anterior da Evodux sobre o Déficit Cirúrgico Estrutural demonstrou que centros cirúrgicos privados operam com 30% de ocupação média, o que eleva o custo/hora e amplia o gap entre custo real e remuneração contratada. O saving apurado nos 4.800 protocolos é líquido desse efeito: à medida que a ocupação cresce e o custo/hora cai, o saving composto dos dois mecanismos supera a soma das partes.
4
Para as operadoras, o protocolo precificado transforma o evento cirúrgico de sinistro variável em custo contratável. Uma operadora com 70 mil beneficiários que adotou protocolos precificados em modelo de pacotes registrou saving de R$ 32 milhões em 13 meses, resultado que reposiciona o custo cirúrgico de variável de sinistro para variável contratualmente gerenciável dentro da estrutura de despesa assistencial.
5
Para os prestadores, o protocolo precificado reverte o déficit operacional do centro cirúrgico em lucratividade. Um hospital de 180 leitos no Nordeste registrou saving acumulado de R$ 12 milhões em 16 meses e reverteu o déficit operacional para lucro sem alteração de modelo assistencial. Os hospitais Anahp realizaram 3,3 milhões de cirurgias em 2024 em um setor com margem EBITDA de 10,7% e glosa inicial de 17%: nesse contexto, a precificação estruturada da jornada cirúrgica representa o mecanismo de gestão com maior retorno unitário disponível para operadoras e prestadores no ciclo atual.
Sumário

Estrutura e argumento do estudo

Seção 01
R$ 273 bilhões em despesas assistenciais, 41% concentrado em internações, margem EBITDA em 10,7% e glosa inicial em 17%. A deterioração financeira do setor é o resultado estrutural da ausência de base técnica comum entre operadoras e prestadores para o evento cirúrgico.
Seção 02
Fee for service elimina o incentivo econômico para padronizar insumos. Quando o modelo migra para pacotes, essa ausência torna-se prejuízo imediato: 70% dos pacotes cirúrgicos geram resultado negativo e 90% precisam de padronização de insumos que nunca foi realizada. Hospitais sem protocolo operam com custo até 40% superior em cirurgias com OPMe.
Seção 03
O protocolo precificado não é o saving: é o instrumento que torna o saving visível. Dois vetores independentes respondem pelo resultado: padronização de insumos (66%), com OPMe concentrando 63% desse vetor, e tipo de protocolo adotado (34%). Sem protocolo precificado, a variação existe mas permanece invisível no faturamento mensal.
Seção 04
Quatro categorias documentadas: R$ 500 em baixa complexidade sem OPMe, R$ 1.200 em média e alta complexidade sem OPMe, R$ 2.000 em alta complexidade com OPMe de grande porte e R$ 3.000 em hemodinâmica e vascular, onde OPMe chega a 82% do custo total. Saving potencial sobre o volume Anahp entre R$ 1,6 bilhão e R$ 9,9 bilhões anuais.
Seção 05
Internações concentram R$ 102,7 bilhões das despesas assistenciais das operadoras em 2024 (40% do total) com apenas 0,47% do volume. O protocolo precificado resolve o risco de severidade que os instrumentos atuais não controlam. Case documentado: 70 mil beneficiários, 450 protocolos de alto custo, R$ 32 milhões de saving em 13 meses, R$ 457 por beneficiário ao ano.
Seção 06
A precificação estruturada da jornada rompe o ciclo entre déficit e ociosidade pelo lado do custo. Um hospital de 180 leitos implantou 872 protocolos precificados e reverteu margem de -16% para +14% em 16 meses, R$ 12 milhões de saving acumulado, sem alterar contratos.
Seção 07
O que os 4.800 protocolos revelam sobre o potencial sistêmico ainda não capturado e o que muda quando operadoras e hospitais operam com o mesmo protocolo de referência.
Seção 01

O mercado cirúrgico privado brasileiro opera sob pressão financeira crescente e sem instrumento de controle de custo por evento

Tese

A deterioração da margem hospitalar e o crescimento das glosas não são produtos de ineficiência operacional isolada. São o resultado estrutural da ausência de um instrumento que torne o custo real da jornada cirúrgica visível e contratável para operadoras e prestadores simultaneamente.

O mercado de saúde suplementar brasileiro realizou 3,3 milhões de cirurgias em 2024 nos hospitais associados à Anahp, em um setor onde as despesas assistenciais totais atingiram R$ 273 bilhões e a margem EBITDA hospitalar recuou para 10,7% no segundo trimestre de 2025. Nesse contexto, operadoras e hospitais negociam o evento cirúrgico sem que nenhum dos dois lados disponha do custo real da jornada como instrumento de contratação. A análise de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados demonstra que essa assimetria tem custo mensurável: entre R$ 500 e R$ 3.000 por procedimento em quatro categorias de complexidade, com saving crescente conforme a presença e o peso de OPMe no custo do evento.

A pressão financeira sobre o setor hospitalar privado acelerou entre 2023 e 2025. A glosa inicial, que representa o valor retido pelas operadoras sobre o faturamento hospitalar antes de qualquer negociação, avançou de 7,26% no primeiro trimestre de 2023 para 17% no primeiro trimestre de 2025, segundo o Observatório Anahp 2025. No mesmo período, a margem EBITDA dos hospitais recuou de 14% para 10,7%, enquanto o prazo médio de recebimento se aproximou de 73 a 79 dias contra 46 a 48 dias de pagamento a fornecedores, comprimindo o capital de giro de forma estrutural. A inflação médica registrou 16,9% em 2025, enquanto materiais hospitalares acumularam alta próxima de 14% entre 2023 e 2024.

O diagnóstico convencional atribui essa deterioração à assimetria de poder de negociação entre operadoras e prestadores, à defasagem das tabelas de remuneração e ao crescimento da utilização. Esses fatores existem e são relevantes. Mas há um mecanismo anterior a todos eles que permanece sem endereçamento sistemático no setor: operadoras e hospitais não têm o mesmo custo de referência para o mesmo evento cirúrgico. As operadoras remuneram por item, sem visibilidade do custo total da jornada. Os hospitais custeiam por departamento, sem visibilidade do custo real por procedimento. O resultado é um mercado de R$ 273 bilhões que negocia seu componente de maior complexidade financeira sem base técnica comum entre os dois lados.

Exhibit 1
A margem hospitalar deteriorou enquanto glosa e inflação médica aceleraram entre 2023 e 2025
Observatório Anahp 2025; Balanço Observatório Anahp, set/2024
Margem EBITDA hospitalar
10,7%
2º trim. 2025
▼ de 14% no 2º tri 2023
Glosa inicial
17,0%
1º trim. 2025
▲ de 7,26% no 1º tri 2023
Inflação médica
16,9%
2025
▲ materiais +14% (2023–24)
Evolução da glosa inicial: hospitais Anahp (%)
1º trimestre 2023
7,26%
1º trimestre 2024
9,88%
1º trimestre 2025
17,0%
Prazo médio de recebimento vs. pagamento, em dias
Recebimento de operadoras
73–79 dias
Pagamento a fornecedores
46–48 dias

O gap de 27 a 33 dias entre recebimento e pagamento não é variável de tesouraria. É consequência direta da ausência de base técnica para contestação de glosa: sem custo real por protocolo como referência, o hospital negocia cada glosa individualmente, estendendo o ciclo de recebimento sem reduzir o custo de produção.

Fonte: Observatório Anahp 2025; Balanço Observatório Anahp, setembro 2024.Evodux Intelligence
Exhibit 2
Internações concentram 41% das despesas assistenciais com apenas 0,5% do volume de procedimentos
IESS / Mapa Assistencial ANS, out/2025. Despesas 2024.
R$ 273 bilhões · 2024
Internações (incl. cirurgias)
41%
Consultas ambulatoriais
28%
Exames complementares
18%
Terapias
8%
Outros atendimentos
5%
Categoria% Volume% DespesasMultiplicador
Internações (incl. cirurgias)0,5%41,0%82x
Terapias2,1%8,0%3,8x
Exames complementares38,4%18,0%0,5x
Consultas ambulatoriais45,2%28,0%0,6x
Outros atendimentos13,8%5,0%0,4x

O multiplicador 82x confirma que nenhuma iniciativa de eficiência assistencial produz impacto financeiro comparável ao controle do custo do evento cirúrgico. Reduzir 1% do custo de internações produz impacto financeiro equivalente a reduzir 82% do custo de qualquer outra categoria de procedimento em volume proporcional.

Fonte: IESS / Mapa Assistencial ANS, outubro 2025. Despesas assistenciais 2024.Evodux Intelligence

A estrutura de despesas dos hospitais Anahp confirma a concentração do risco financeiro no evento cirúrgico. OPMe respondeu por 7,30% da despesa total hospitalar em 2024, enquanto materiais representaram 5,15% adicional. Combinados com custo de pessoal em 39,03% e medicamentos em 11,78%, esses quatro componentes formam a espinha dorsal do custo da jornada cirúrgica, todos com dinâmica de preço independente da remuneração contratada com as operadoras. A receita bruta proveniente de OPMe representou 7,61% do total, sinalizando que a precificação desse componente segue defasada em relação ao custo incorrido.

Exhibit 3
OPMe e materiais somam 12,45% da despesa hospitalar total sem referência de protocolo para controle
Observatório Anahp 2025. Média dos 169 hospitais-membros, ano-base 2024.
Distribuição da despesa total por tipo, hospitais Anahp, 2024 (%)
Custo de pessoal
39,03%
Contratos técnicos
13,05%
Medicamentos
11,78%
OPMe
7,30%
Materiais
5,15%
Outras despesas
7,35%
Demais categorias
16,34%

OPMe e materiais são os únicos componentes de custo cirúrgico cujo valor unitário por evento é determinado pela escolha de protocolo, não pelo contrato com a operadora. Essa característica os torna simultaneamente o principal vetor de variação de custo não gerenciada e o principal vetor de saving quando o protocolo é precificado.

Fonte: Observatório Anahp 2025. Média dos 169 hospitais-membros. Ano-base 2024.Evodux Intelligence
Referência · Série Evodux Intelligence
Déficit Cirúrgico Estrutural: evidências sobre ociosidade, cancelamentos e precificação nos centros cirúrgicos privados brasileiros
O primeiro estudo da série demonstrou que centros cirúrgicos privados operam com 30% de ocupação média, déficit de R$ 40 mil por sala por dia e remuneração abaixo do custo real em 70% dos 134 tipos de pacotes cirúrgicos avaliados, com gap médio de R$ 4.750 por procedimento. A taxa de cancelamento observada situa-se entre 8% e 18% das cirurgias agendadas, com custo médio de R$ 10 mil por evento, integralmente não recuperável. O custo/hora do CC, modulado pela ocupação, é o mecanismo que conecta os dois estudos. Evodux Intelligence, março 2026.

O mecanismo identificado no estudo sobre o Déficit Cirúrgico Estrutural tem implicação direta para a mensuração do saving cirúrgico: o valor do protocolo precificado não é fixo. Ele é modulado pelo custo/hora do centro cirúrgico, variável que reflete a taxa de ocupação da estrutura instalada. O DCE documentou que a parcela fixa do custo operacional do centro cirúrgico representa 85% ou mais do total, independentemente do volume realizado: uma sala em prontidão sem procedimento agendado incorre em custo equivalente a 85% a 95% do custo de uma sala em operação plena. Isso implica que hospitais com 30% de ocupação, a média observada na base, têm custo/hora de sala sistematicamente superior ao de hospitais com maior ocupação para o mesmo procedimento. O saving apurado nos 4.800 protocolos é líquido desse efeito: à medida que a ocupação cresce e o custo/hora cai, o saving composto dos dois mecanismos supera a soma das partes.

Exhibit 4
Ociosidade do centro cirúrgico eleva custo/hora e amplifica o gap entre custo real e remuneração contratada
Evodux Intelligence, 2025. Estudo DCE. 9 hospitais, 2024–2025.
Ocupação média do CC privado
30%
Taxa observada na base Evodux, 9 hospitais, coleta semanal por unidade, 2024/2025. Mínimo de viabilidade financeira: 70%.
Déficit por sala por dia
R$ 40k
Custo R$ 60k menos receita R$ 20k por sala por dia. Base Evodux, 9 hospitais, 2024/2025.
134 tipos de pacotes avaliados
70%
Com remuneração abaixo do custo real de produção. Gap médio de R$ 4.750 por procedimento.
Variação intra-semanal de ocupação
67 pp
De 78% na terça a 11% na sexta tarde. 9 hospitais, coleta semanal por unidade, 2024/2025.
Custo, receita e déficit por sala por dia: centro cirúrgico privado com ocupação de 30%
Custo por sala / dia
R$ 60.000
Receita por sala / dia
R$ 20.000
Déficit por sala / dia
R$ 40.000
MétricaValor documentadoFonte
Custo médio mensal por CC (médio e grande porte)R$ 1,8 milhãoEvodux 2024/2025
Custo médio por sala por diaR$ 60.000Evodux 2024/2025
Receita média por sala por dia (contratos vigentes)R$ 20.000Evodux 2024/2025
Déficit por sala / diaR$ 40.000Evodux 2024/2025
Déficit por sala / mêsR$ 1,2 milhãoEvodux 2024/2025
Déficit por sala / anoR$ 14,4 milhõesEvodux 2024/2025
Parcela fixa do custo em sala sem procedimento≥ 85%Evodux 2024/2025; Childers CP, JAMA Surgery, 2018

O protocolo precificado que incorpora o custo/hora real do centro cirúrgico transforma a ociosidade de custo invisível em variável de negociação contratual. Operadoras que contratam com base nesse custo real deixam de remunerar a ineficiência do prestador. Prestadores que o conhecem deixam de absorvê-la como resultado operacional.

Fonte: Evodux Intelligence, Estudo DCE 2025. 9 hospitais privados, 2024–2025.Evodux Intelligence
Implicações da Seção 1
O que a pressão financeira do setor revela sobre a ausência de instrumento de custo por evento

O mercado cirúrgico privado brasileiro opera com três desalinhamentos simultâneos que a pressão financeira torna visíveis, mas não resolve por si mesma. O primeiro é a assimetria de informação: operadoras acumulam anos de histórico de sinistro por procedimento, mas não têm o custo real de produção do hospital. Hospitais conhecem seu custo departamental, mas não o custo real por evento cirúrgico. Nenhum dos dois lados da negociação contratual dispõe da mesma base técnica.

O segundo desalinhamento é temporal: a glosa cresce enquanto a margem cai, o que indica que o mecanismo de ajuste do mercado é reativo e não resolve o problema de origem. Glosar mais não reduz o custo real do evento cirúrgico para o hospital. Pagar menos não melhora a visibilidade de custo para a operadora. Os dois lados perdem eficiência no processo e o custo de capital de giro cresce para o prestador sem que o custo assistencial caia para o pagador.

O terceiro desalinhamento é estrutural: a inflação médica de 16,9% em 2025, combinada com a alta de materiais hospitalares próxima de 14% entre 2023 e 2024, reflete a precificação fragmentada por item, sem referência de protocolo. Quando insumos são adquiridos sem padronização por procedimento, a variação de preço de cada item se acumula no custo do evento sem mecanismo de contenção. Os três desalinhamentos têm uma raiz comum: a ausência do protocolo precificado como unidade de análise econômica do evento cirúrgico.

Síntese da Seção 1
O mercado em números
R$ 273 bi
despesas assistenciais totais, 2024
3,3 milhões
cirurgias nos hospitais Anahp, 2024
41%
das despesas concentradas em internações
A deterioração financeira
17%
glosa inicial no 1º tri 2025
10,7%
margem EBITDA hospitalar, 2º tri 2025
R$ 500 a R$ 3k
saving por evento com protocolo precificado
A deterioração simultânea de margem e crescimento de glosa não é produto de ineficiência operacional. É o resultado esperado de um mercado que negocia seu componente de maior complexidade financeira sem base técnica comum entre os dois lados.
Próxima seção: A jornada cirúrgica como unidade de análise de custo: por que a precificação por item é estruturalmente incapaz de revelar o custo real do evento cirúrgico.
Seção 02

A opacidade do custo cirúrgico tem uma causa estrutural precisa: a jornada é precificada por item, não por evento

Tese

A precificação por item fragmenta o custo da jornada cirúrgica em silos que nunca são somados como unidade econômica completa. O fee for service elimina o incentivo para padronizar insumos porque o hospital é remunerado independentemente do custo que incorre. Quando o modelo migra para pacote, essa ausência de padronização torna-se prejuízo imediato: 70% dos pacotes cirúrgicos geram resultado negativo para os hospitais porque 90% deles precisam de uma padronização de insumos que nunca foi realizada.

A jornada cirúrgica é composta por componentes de custo gerenciados em silos independentes: materiais e OPMe pelo setor de compras, hora de sala e equipe pelo centro cirúrgico, medicamentos pela farmácia, recuperação pós-anestésica pela enfermaria. Cada silo tem sua lógica de aquisição, seu responsável e sua métrica de controle. Nenhum sistema de gestão hospitalar convencional soma esses componentes como unidade econômica completa por procedimento. O resultado é que o custo real da jornada cirúrgica não existe como número estruturado em nenhum relatório de nenhuma das duas partes que negociam o contrato.

O modelo de remuneração por fee for service é o mecanismo que perpetua essa fragmentação. Quando o hospital é remunerado por item produzido, não há incentivo econômico para padronizar insumos, racionalizar conduta ou medir o custo total do evento. A variação de custo entre procedimentos idênticos realizados por cirurgiões diferentes, com insumos diferentes e tempos de sala diferentes, não afeta a receita. O hospital recebe pelo que produz, não pelo que gasta para produzir. A padronização, nesse modelo, é irrelevante para o resultado financeiro imediato.

A análise da base Evodux de 134 tipos de pacotes cirúrgicos quantifica o impacto dessa ausência de padronização. Hospitais sem protocolo precificado operam com custo até 40% superior ao de hospitais com protocolo padronizado em cirurgias com OPMe, e até 20% superior em cirurgias de média complexidade. Essa variação não decorre de diferença de qualidade assistencial nem de perfil epidemiológico distinto. Decorre exclusivamente da ausência de padronização de insumos e de definição de conduta por protocolo. O custo extra é integralmente absorvido pelo hospital como erosão de margem invisível.

A migração do fee for service para o modelo de pacotes torna esse custo invisível imediatamente visível. No pacote, o hospital recebe um valor fixo por evento independentemente do custo que incorre. A variação de insumo que no fee for service era irrelevante passa a ser diretamente responsável pelo resultado do procedimento. É por isso que 70% dos pacotes cirúrgicos geram prejuízo para os hospitais: a remuneração foi contratada sem que o custo real da jornada fosse conhecido, e 90% desses pacotes precisam de padronização de insumos que nunca foi realizada para que o resultado se torne positivo. O pacote não criou o problema. Tornou-o mensurável.

Exhibit 5
Variáveis de custo da jornada cirúrgica ausentes da base de precificação contratual entre operadoras e hospitais
Evodux 2024/2025. 134 tipos de pacotes. Estudo DCE, março 2026.
Componentes da jornada cirúrgica e presença na base de precificação contratual
Componente de custo da jornadaSilo de gestãoIncorporado?
Tempo real de sala: setup, cirurgia, limpeza e trocaCentro cirúrgicoNão
Hora-equipe desagregada por função e especialidadeGestão de pessoasNão
Consumo médio de insumos por via clínica e complexidadeCompras / almoxarifadoNão
OPMe por tipo de protocolo e complexidade do casoCompras / CCIHNão
Custo de esterilização por kit cirúrgicoCMENão
Depreciação de equipamentos alocada por procedimentoControladoriaNão
Variação de custo por gravidade e complexidade do casoAssistencial / médicoRaramente
Custo de recuperação pós-anestésica e hotelariaEnfermaria / hotelariaParcial

Cada componente listado tem responsável, sistema e métrica próprios. Nenhum deles é somado automaticamente ao custo do evento no momento da negociação contratual. A precificação do pacote cirúrgico é feita sobre uma base que exclui sistematicamente os componentes de maior variabilidade e de maior impacto no resultado por procedimento.

Fonte: Evodux 2024/2025. 134 tipos de pacotes. Estudo DCE, março 2026.Evodux Intelligence
Exhibit 6
Hospitais sem protocolo precificado operam com custo até 40% superior em cirurgias com OPMe
Evodux 2024/2025. 134 tipos de pacotes cirúrgicos precificados.
Variação de custo por evento: hospital sem protocolo vs. hospital com protocolo padronizado
Cirurgia com OPMe sem protocolo
até 40% de custo adicional
Cirurgia média complexidade sem protocolo
até 20% de custo adicional
Com protocolo precificado referência base
base 0%
Por que a variação existe: mecanismo de geração de custo excessivo sem protocolo
Vetor de variaçãoNo fee for serviceNo pacote sem protocolo
Escolha de OPMe pelo cirurgiãoIrrelevante para receitaDireto no resultado
Quantidade de insumos por procedimentoRepassada ao pagadorAbsorvida pelo hospital
Tempo de sala acima do previstoFaturado como hora adicionalCusto fixo não recuperável
Variação de conduta entre cirurgiõesSem impacto financeiro diretoMargem diferente por cirurgião

A variação de custo de até 40% não é produto de ineficiência operacional nem de diferença assistencial. É o custo acumulado de decisões clínicas e de compras que no fee for service eram financeiramente neutras para o hospital e que no pacote tornam-se diretamente determinantes do resultado por procedimento.

Fonte: Evodux 2024/2025. 134 tipos de pacotes cirúrgicos precificados.Evodux Intelligence
Exhibit 7
70% dos pacotes cirúrgicos geram prejuízo porque 90% precisam de padronização de insumos que nunca foi realizada
Evodux 2024/2025. 134 tipos de pacotes cirúrgicos precificados.
Pacotes cirúrgicos com resultado negativo
70%
dos 134 tipos avaliados
Remuneração contratada abaixo do custo real de produção do protocolo sem padronização de insumos.
Pacotes que precisam de padronização para lucrar
90%
dos pacotes avaliados
A remuneração contratada só cobre o custo real quando insumos são padronizados por protocolo.
A sequência que gera o prejuízo estrutural
1
Hospital contrata pacote com valor de histórico fee for service
2
Insumos adquiridos sem padronização por protocolo
3
Custo real por evento supera o valor contratado do pacote
4
Cada cirurgia gera resultado negativo sem rubrica de identificação

O pacote cirúrgico não cria o prejuízo. Torna mensurável um desequilíbrio que no fee for service era repassado ao pagador evento a evento. O hospital que migra para pacote sem padronizar insumos troca exposição difusa por prejuízo concentrado e visível. A padronização de insumos é a condição necessária para que qualquer pacote cirúrgico gere resultado positivo de forma consistente.

Fonte: Evodux 2024/2025. 134 tipos de pacotes cirúrgicos precificados.Evodux Intelligence
Implicações da Seção 2
O que a transição do fee for service para pacotes revela sobre a ausência de padronização no mercado cirúrgico

A transição do fee for service para o modelo de pacotes não é uma mudança de modelo comercial. É uma mudança na visibilidade do custo. No fee for service, a variação de insumo, de conduta e de tempo de sala é repassada ao pagador evento a evento, sem que o hospital precise conhecer o custo real de cada procedimento para manter seu resultado. No pacote, essa variação torna-se diretamente determinante da margem. O hospital que migra sem ter padronizado seus insumos e sem ter precificado sua jornada descobre, no resultado do mês seguinte, o custo acumulado de décadas de ausência metodológica.

Os 70% de pacotes cirúrgicos com resultado negativo não são produto de contratação inadequada nem de operadoras mal-intencionadas. São o resultado estrutural de uma assimetria de informação que o modelo de pacotes torna imediatamente visível: a operadora contratou com base em histórico de sinistro acumulado ao longo de anos. O hospital contratou com base em percepção de mercado sem custeio granular por protocolo. A diferença entre os dois lados da negociação não é poder. É dado.

Os 90% de pacotes que precisam de padronização de insumos para gerar resultado positivo indicam que a solução não está na renegociação do valor contratado. Está na redução do custo de produção por evento. Um pacote que hoje gera prejuízo com insumos não padronizados pode gerar resultado positivo com os mesmos valores contratados após a padronização, porque o custo real do evento cai abaixo da remuneração recebida. O saving não requer novo contrato. Requer nova metodologia de produção.

Síntese da Seção 2
A magnitude da variação sem protocolo
até 40%
de custo adicional em cirurgias com OPMe sem protocolo
até 20%
de custo adicional em cirurgias de média complexidade
O impacto no modelo de pacotes
70%
dos pacotes cirúrgicos geram resultado negativo
90%
dos pacotes precisam de padronização de insumos para lucrar
O fee for service não cria ineficiência. Torna financeiramente irrelevante medi-la. O pacote não cria prejuízo. Torna impossível não vê-lo.
Próxima seção: Quando a jornada é precificada como protocolo completo, dois vetores dominantes geram saving estrutural: a padronização de insumos, responsável por 66% do resultado, e o tipo de protocolo adotado, responsável pelos 34% restantes.
Seção 03

Quando a jornada é precificada como protocolo completo, dois vetores dominantes geram saving estrutural

Tese

O protocolo precificado não é o saving. É o instrumento que torna o saving visível e realizável. Sem ele, a variação de marca de OPMe entre cirurgiões e a variação de conduta entre procedimentos existem mas não são mensuráveis. Com ele, dois vetores independentes e complementares geram saving de 66% via padronização de insumos e 34% via escolha estruturada de protocolo, sobre a mesma jornada cirúrgica.

O saving cirúrgico estrutural não decorre de renegociação de contrato nem de redução de volume assistencial. Decorre da criação de uma unidade de análise que o mercado cirúrgico privado brasileiro não tem: o custo real por evento. Sem essa unidade, a variação de insumo entre cirurgiões para o mesmo procedimento, a diferença de conduta entre protocolos clinicamente equivalentes e o custo/hora de sala inflado pela ociosidade existem como dados dispersos no faturamento mensal, sem que nenhum gestor possa atribuí-los a um procedimento específico, a um cirurgião específico ou a uma decisão de compra específica.

O protocolo precificado cria essa unidade. Quando o custo real da jornada é expresso como um número por evento, dois vetores tornam-se imediatamente operáveis. O primeiro é a padronização de insumos: com o protocolo como referência, torna-se possível identificar qual cirurgião usa OPMe de marca diferente do padrão, qual kit cirúrgico contém itens em quantidade acima do necessário e qual volume consolidado de compras está fragmentado em pedidos individuais sem poder de negociação. O segundo é a escolha estruturada do tipo de protocolo: com o custo real por evento documentado, torna-se possível identificar variação injustificada de conduta entre cirurgiões para o mesmo diagnóstico e selecionar o protocolo de menor custo entre alternativas com equivalência clínica demonstrada.

Os dois vetores são tecnicamente independentes. Um hospital pode padronizar insumos sem alterar o protocolo e capturar 66% do saving potencial. Pode definir protocolo sem padronizar insumos e capturar 34%. Na prática, contudo, os dois vetores compartilham o mesmo pré-requisito: o protocolo precificado como instrumento de análise por evento. Sem ele, nenhum dos dois é ativável. O hospital que olha apenas o faturamento mensal vê o total do mês, não o custo por procedimento, não a variação por cirurgião, não o excesso por kit. A gestão opera sobre médias que escondem a variação onde o saving reside.

Exhibit 8
Padronização de insumos responde por 66% do saving e escolha de protocolo pelos 34% restantes, em vetores independentes e complementares
Evodux 2024/2025. Base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados.
Vetor 1
Padronização de insumos
66%
do saving total por evento cirúrgico
Atua sobre marca e especificação de OPMe, quantidade de insumos por kit e poder de negociação por volume consolidado.
Vetor 2
Tipo de protocolo adotado
34%
do saving total por evento cirúrgico
Atua sobre variação injustificada de conduta entre cirurgiões e seleção de protocolo de menor custo entre alternativas clinicamente equivalentes.
Saving realizável por combinação de vetores ativos
Sem protocolo precificado
0%
Protocolo, Vetor 1 ativo
66% do saving potencial
Protocolo, Vetor 2 ativo
34% do saving potencial
Protocolo precificado completo
100% do saving estrutural

O saving de 0% sem protocolo precificado não indica ausência de variação. Indica ausência de instrumento para medi-la e atribuí-la por evento. A variação existe em todos os hospitais. O que difere é a capacidade de torná-la visível e, portanto, gerenciável.

Fonte: Evodux 2024/2025. Base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados.Evodux Intelligence
Exhibit 9
Três mecanismos da padronização de insumos geram 92% do saving do Vetor 1, com OPMe respondendo por 63% isoladamente
Evodux 2024/2025. Base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados.
Decomposição do Vetor 1: saving por mecanismo de padronização de insumos
Padronização de marca e especificação de OPMe
até 63% do saving do Vetor 1
Redução de quantidade de insumos por kit
~17%
Ganho de escala na negociação por volume
~12%
Outros fatores de padronização
~8%
Por que OPMe concentra 63% do saving de padronização
Característica do OPMeImpacto na variação de custo
Escolha de marca por preferência do cirurgião, não por protocoloPrincipal vetor de variação de custo por evento
Ausência de equivalência técnica documentada entre marcasImpede substituição sem resistência clínica
Precificação individual por fornecedor sem referência de protocoloElimina poder de negociação por volume
Especificação de OPMe feita no ato cirúrgico, não no planejamentoImpede compra antecipada com desconto
Variação de complexidade do caso não refletida na especificação padrãoGera uso de OPMe premium em casos que não requerem

A concentração de 63% do saving de padronização em OPMe reflete uma característica estrutural do mercado cirúrgico brasileiro: a especificação de OPMe é feita pelo cirurgião no momento do procedimento, sem referência a protocolo institucional. O protocolo precificado transforma essa decisão individual em decisão institucional baseada em custo real por evento.

Fonte: Evodux 2024/2025. Base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados.Evodux Intelligence

O Vetor 2, responsável por 34% do saving, atua sobre a variação de conduta entre cirurgiões para o mesmo diagnóstico. Em um hospital sem protocolo precificado, dois cirurgiões realizando a mesma cirurgia com o mesmo diagnóstico podem gerar custos totais distintos em função de diferenças de tempo de sala, de especificação de insumos e de conduta pós-operatória, sem que nenhum indicador de gestão convencional identifique essa variação como fonte de custo gerenciável. O faturamento mensal registra o total. O custo por cirurgião e por protocolo permanece invisível.

A eliminação dessa variação não requer alteração de conduta clínica nos casos em que a diferença é justificada por complexidade do caso ou por perfil do paciente. Requer apenas que a variação sem justificativa clínica documentada seja identificada e endereçada. O protocolo precificado cria o instrumento para essa identificação: quando o custo real por evento é conhecido, a variação entre cirurgiões para o mesmo procedimento torna-se um número, não uma percepção.

Exhibit 10
O protocolo precificado é o pré-requisito comum dos dois vetores: sem ele, a variação existe mas permanece invisível e não gerenciável
Evodux 2024/2025. Base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados.
Sem protocolo
Variação de OPMe por cirurgião
existe · invisível
Variação de conduta clínica
existe · invisível
Custo por evento
não existe como número
Saving: 0%
Protocolo precificado
Variação de OPMe por cirurgião
identificada · padronizável
Variação de conduta clínica
identificada · gerenciável
Custo por evento
mensurável · comparável
Saving: até 100%
Vetor 1 · Padronização de insumos
66%
do saving estrutural por evento
Vetor 2 · Tipo de protocolo
34%
do saving estrutural por evento

O protocolo precificado não gera saving por si mesmo. Gera a condição para que os dois vetores sejam identificados, mensurados e endereçados. Hospitais que implantaram o protocolo e ativaram apenas o Vetor 1 capturaram 66% do saving potencial. Os que ativaram os dois vetores simultaneamente capturaram o saving estrutural completo por evento.

Fonte: Evodux 2024/2025. Base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados.Evodux Intelligence
Implicações da Seção 3
O que a decomposição do saving em vetores revela sobre a sequência de implantação e o retorno esperado

A decomposição do saving em dois vetores com proporções documentadas tem uma implicação prática imediata para a sequência de implantação. O Vetor 1, padronização de insumos, responde por 66% do saving e atua sobre decisões de compra e especificação, não sobre conduta clínica. É o vetor de menor resistência institucional e de mais rápida implementação. O Vetor 2, escolha de protocolo, responde por 34% e envolve padronização de conduta entre cirurgiões, processo que requer engajamento do corpo clínico e validação assistencial. A sequência natural é Vetor 1 primeiro, Vetor 2 em seguida, com o protocolo precificado como instrumento comum que viabiliza os dois.

A concentração de 63% do saving do Vetor 1 em OPMe tem implicação específica para hospitais com alta proporção de cirurgias com OPMe no mix assistencial. Para esses hospitais, a padronização de marca e especificação de OPMe é a intervenção de maior retorno unitário disponível sem alteração de contrato com operadoras. O saving é gerado internamente, por redução do custo de produção, e não requer renegociação de remuneração para ser realizado.

O Vetor 2 tem implicação específica para operadoras. A variação de conduta entre cirurgiões para o mesmo diagnóstico é capturável na base de sinistro da operadora antes de ser visível no hospital. Operadoras que cruzam sua base histórica de sinistro com protocolos precificados de referência conseguem identificar prestadores com variação de custo acima do esperado por procedimento e usar esse dado como base para renegociação contratual ancorada em evidência, não em posição de mercado.

Síntese da Seção 3
Vetor 1: padronização de insumos
66%
do saving total por evento
63%
desse saving concentrado em OPMe
menor resistência
não envolve conduta clínica
Vetor 2: tipo de protocolo adotado
34%
do saving total por evento
variação clínica
identificada por protocolo precificado
operadoras
capturam antes do hospital na base de sinistro
O saving não está no contrato. Está no custo de produção. E o custo de produção só é gerenciável quando existe como número por evento.
Próxima seção: A magnitude do saving é documentada em quatro categorias, de R$ 500 em baixa complexidade a R$ 3.000 em hemodinâmica e vascular, com impacto sistêmico estimado entre R$ 1,6 bilhão e R$ 9,9 bilhões anuais sobre o volume cirúrgico dos hospitais Anahp.
Seção 04

O saving cresce com o peso de OPMe e atinge escala bilionária

Tese

O saving por evento não é um número único. É uma função da complexidade do procedimento e do peso de OPMe no custo total. Quanto maior a proporção de OPMe, maior a alavanca do Vetor 1 e maior o saving absoluto por evento. A análise de 4.800 protocolos documentou quatro categorias com saving médio de R$ 500 a R$ 3.000, aplicáveis sobre um mercado de 3,3 milhões de cirurgias anuais nos hospitais Anahp.

O saving cirúrgico estrutural não é uniforme entre especialidades. Sua magnitude é determinada por dois fatores simultâneos: a complexidade do procedimento, que define o custo base da jornada, e a proporção de OPMe no custo total do evento, que define o tamanho da alavanca disponível para o Vetor 1. Em procedimentos de baixa complexidade sem OPMe, a alavanca é pequena e o saving médio observado na base Evodux é de R$ 500 por evento. Em cirurgias hemodinâmicas e vasculares, onde OPMe representa até 82% do custo total, a alavanca é máxima e o saving médio chega a R$ 3.000 por evento.

A relação entre peso de OPMe e magnitude do saving é direta e documentada. Em cirurgias de grande porte com OPMe, onde esse componente responde por até 75% do custo total, o saving médio observado é de R$ 2.000 por evento. Em cirurgias de média e alta complexidade sem OPMe, onde o Vetor 1 atua exclusivamente sobre insumos não implantáveis, o saving médio é de R$ 1.200. Em cirurgias de baixa complexidade sem OPMe, o saving de R$ 500 representa, em termos percentuais, aproximadamente 17,8% do custo de um procedimento como a herniorrafia, referência de R$ 2.800 na base Evodux. Essa proporção confirma que o saving é estrutural e não marginal em nenhuma das quatro categorias.

A projeção desse saving sobre o volume de 3,3 milhões de cirurgias realizadas pelos hospitais Anahp em 2024 produz um envelope de impacto sistêmico entre R$ 1,6 bilhão e R$ 9,9 bilhões anuais. O limite inferior aplica o saving de R$ 500 sobre todo o volume, o limite superior aplica R$ 3.000. O cenário realista situa-se entre esses extremos em função do mix de especialidades de cada instituição. Para contextualização: as despesas assistenciais totais da saúde suplementar atingiram R$ 273 bilhões em 2024, dos quais 41% concentrados em internações. O saving potencial cirúrgico representa entre 0,6% e 3,6% das despesas assistenciais totais do setor, capturável sem alteração de modelo assistencial e sem investimento de capital.

Exhibit 11
Saving médio por evento em quatro categorias cirúrgicas: de R$ 500 em baixa complexidade a R$ 3.000 em hemodinâmica
Evodux 2024/2025. Base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados.
Baixa complexidade
sem OPMe
R$ 500
por evento
~17,8% do custo · ex: herniorrafia R$ 2.800
Média e alta complexidade
sem OPMe
R$ 1.200
por evento
Vetor 1 sobre insumos não implantáveis
Alta complexidade
com OPMe grande porte
R$ 2.000
por evento
OPMe até 75% do custo total
Hemodinâmica e vascular
com OPMe intensivo
R$ 3.000
por evento
OPMe até 82% do custo total
Saving por evento e proporção sobre custo estimado do procedimento
Baixa complexidade sem OPMe ex: herniorrafia ~R$ 2.800
R$ 500 · 17,8%
Média e alta complexidade sem OPMe
R$ 1.200
Alta complexidade OPMe grande porte até 75%
R$ 2.000
Hemodinâmica e vascular OPMe intensivo até 82%
R$ 3.000

O saving cresce proporcionalmente ao peso de OPMe no custo total do evento porque OPMe concentra 63% do saving do Vetor 1. Categorias com OPMe intensivo têm alavanca maior e saving absoluto maior, independentemente do valor contratado com a operadora.

Fonte: Evodux 2024/2025. Base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados.Evodux Intelligence
Exhibit 12
Peso de OPMe no custo total determina a magnitude do saving: de 0% em baixa complexidade a 82% em hemodinâmica
Evodux 2024/2025. Base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados.
↑ OPMe como % do custo total do evento
R$ 500
saving
Baixa complexidade
sem OPMe
R$ 1.200
saving
Média e alta
sem OPMe
Alta complexidade
OPMe até 75%
R$ 3.000
saving
Hemodinâmica
OPMe até 82%

A correlação entre peso de OPMe e saving por evento é direta e documentada na base de 4.800 protocolos. Instituições com mix assistencial concentrado em hemodinâmica e cirurgia vascular têm o maior potencial de saving por evento e, portanto, o maior retorno unitário sobre a implantação do protocolo precificado.

Fonte: Evodux 2024/2025. Base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados.Evodux Intelligence
Exhibit 13
Saving potencial sobre o volume cirúrgico Anahp 2024 situa-se entre R$ 1,6 bilhão e R$ 9,9 bilhões anuais
Evodux 2024/2025; Observatório Anahp 2025. Projeção sobre 3,3M cirurgias.
Envelope de saving potencial por cenário de saving médio por evento
Cenário conservador saving médio R$ 500/evento
R$ 1,6 bi
Cenário intermediário saving médio estimado R$ 1.750/evento
R$ 5,8 bi
Cenário intensivo OPMe saving médio R$ 2.000/evento
R$ 6,6 bi
Cenário máximo saving médio R$ 3.000/evento
R$ 9,9 bi
Referência de mercadoValorSaving potencial como % do valor
Despesas assistenciais totais saúde suplementar, 2024R$ 273 bilhões0,6% a 3,6%
Internações: 41% das despesas assistenciais totaisR$ 112 bilhões1,4% a 8,8%
Receita bruta hospitais Anahp, 2024R$ 66,4 bilhões2,4% a 14,9%
Saving potencial sobre volume AnahpR$ 1,6 bi a R$ 9,9 bicapturável sem novo contrato
Nota metodológica
O envelope de R$ 1,6 bilhão a R$ 9,9 bilhões aplica o saving por categoria sobre o volume total de 3,3 milhões de cirurgias Anahp como cenários extremos. O saving efetivo por instituição depende do mix de especialidades. Instituições com maior proporção de cirurgias hemodinâmicas e vasculares aproximam-se do limite superior. O impacto estimado não inclui o universo de hospitais não associados à Anahp, que representa a maioria do setor privado brasileiro.
Fonte: Evodux 2024/2025; Observatório Anahp 2025. Projeção sobre 3,3 milhões de cirurgias.Evodux Intelligence
Implicações da Seção 4
O que a distribuição do saving por categoria revela sobre prioridade de implantação e perfil institucional

A distribuição do saving em quatro categorias tem uma implicação direta para a priorização de implantação. Hospitais com mix assistencial concentrado em hemodinâmica, cardiologia intervencionista e cirurgia vascular operam no quadrante de maior saving por evento e, portanto, têm o maior retorno unitário sobre a implantação do protocolo precificado. Para essas instituições, cada procedimento sem protocolo representa uma perda média de R$ 3.000 de saving não capturado. Em um hospital com 200 procedimentos hemodinâmicos por mês, o custo de ausência de protocolo é de R$ 600 mil mensais.

Para operadoras, a distribuição por categoria tem implicação contratual direta. O saving de R$ 2.000 a R$ 3.000 por evento em procedimentos com OPMe intensivo é realizável pelo prestador sem renegociação de remuneração, porque decorre de redução de custo de produção, não de corte de receita. Uma operadora que contratar com prestadores que implantaram protocolo precificado nas categorias de alta complexidade está contratando com parceiros cujo custo de produção é até R$ 3.000 por evento menor do que o de prestadores sem protocolo, para o mesmo procedimento e com a mesma remuneração contratada. Essa diferença é margem para o prestador, não para a operadora. A operadora que não captura isso via precificação de pacote está deixando poder de negociação contratual sem base técnica.

O saving potencial de R$ 1,6 bilhão a R$ 9,9 bilhões sobre o volume Anahp representa entre 2,4% e 14,9% da receita bruta total dos hospitais associados em 2024. Capturado sem alteração de modelo assistencial e sem investimento de capital, esse saving é a maior alavanca de resultado disponível para o setor hospitalar privado no ciclo atual de compressão de margem.

Síntese da Seção 4
Saving por categoria
R$ 500
baixa complexidade sem OPMe
R$ 1.200
média e alta complexidade sem OPMe
R$ 2.000
alta complexidade, OPMe até 75%
R$ 3.000
hemodinâmica e vascular, OPMe até 82%
Impacto sistêmico sobre Anahp 2024
R$ 1,6 bi
cenário conservador
R$ 9,9 bi
cenário intensivo em OPMe
0 investimento
capturável sem novo contrato ou capital
O saving não depende de escala. Depende de metodologia e de mix de OPMe.
Próxima seção: Para as operadoras, o protocolo precificado converte sinistro variável em custo contratável. Uma operadora com 70 mil beneficiários registrou R$ 32 milhões de saving em 13 meses após adoção de protocolos precificados em modelo de pacotes.
Seção 05

Para as operadoras, o protocolo precificado converte sinistro variável em custo contratável

Tese

Sem protocolo de referência, a operadora está exposta simultaneamente a variação de frequência e variação de severidade no evento cirúrgico. O protocolo precificado resolve o segundo risco: quando a remuneração é ancorada no custo real de produção, a variação de custo por evento deixa de ser risco da operadora e passa a ser responsabilidade de gestão do prestador. Uma operadora com 70 mil beneficiários registrou saving de R$ 32 milhões em 13 meses após implantar 450 protocolos de alto custo precificados.

As despesas assistenciais das operadoras de saúde suplementar atingiram R$ 256,8 bilhões em 2024, com índice de sinistralidade de aproximadamente 82%. Internações representaram 0,47% do total de eventos autorizados e concentraram 40% das despesas, equivalente a R$ 102,7 bilhões. Nenhuma outra categoria de procedimento combina baixo volume com tamanha concentração de despesa. Para as operadoras, o evento cirúrgico é o componente de maior risco financeiro unitário do sistema: cada autorização expõe a operadora simultaneamente a variação de frequência, quantas cirurgias ocorrem no período, e variação de severidade, quanto custa cada uma.

A gestão convencional de sinistro cirúrgico nas operadoras atua sobre o primeiro risco com razoável eficiência: autorização prévia, protocolos de auditoria e controle de acesso reduzem a frequência de procedimentos não justificados clinicamente. O segundo risco, a variação de severidade por evento, permanece estruturalmente fora do controle da operadora porque depende de informação que ela não tem: o custo real de produção do protocolo no prestador. Sem esse dado, a operadora não consegue distinguir se um evento de alto custo reflete complexidade clínica justificada ou ausência de padronização de insumos no prestador. Os dois casos geram o mesmo valor na nota fiscal. Apenas um deles é gerenciável.

O protocolo precificado resolve essa assimetria. Quando a operadora contrata com base no custo real de produção do protocolo, ela passa a dispor de uma referência técnica para avaliar a variação de custo por evento. Um procedimento faturado acima do protocolo precificado de referência tem variação explicável por complexidade documentada ou variação não justificada por ausência de padronização. Essa distinção, que no modelo de fee for service por item era impossível, torna-se operável quando o protocolo precificado existe como base contratual comum entre as duas partes.

Exhibit 14
Internações concentram 40% das despesas assistenciais com 0,47% do volume: maior risco financeiro unitário do sistema suplementar
ANS, Mapa Assistencial 2024; IESS, out/2025. R$ 102,7 bi: cálculo Evodux (40% × R$ 256,8 bi).
Despesas assistenciais totais
R$ 256,8 bi
operadoras, 2024
Sinistralidade: ~82%
Despesas com internações
R$ 102,7 bi
40% das despesas totais
0,47% do volume de eventos
Multiplicador de risco
85x
despesa por evento vs. volume
maior concentração do sistema
Exposição da operadora sem protocolo precificado: dois riscos simultâneos não gerenciáveis de forma independente
Risco 1 · Frequência
Quantas cirurgias ocorrem
Gerenciável via autorização prévia, auditoria e protocolos de acesso. Ferramentas existem e são amplamente utilizadas pelas operadoras. Controlável com instrumentos atuais.
Risco 2 · Severidade
Quanto custa cada cirurgia
Não gerenciável sem custo real de produção do protocolo no prestador. A variação por ausência de padronização e a variação por complexidade clínica geram o mesmo valor na nota fiscal. Incontrolável sem protocolo precificado.

A operadora que controla frequência mas não controla severidade gerencia metade do risco cirúrgico. O protocolo precificado é o instrumento que torna a severidade contratável: quando o custo real de produção é conhecido, a variação por evento torna-se auditável e negociável. Nota: o multiplicador 85x refere-se a internações totais (clínicas e cirúrgicas) conforme classificação ANS. O peso financeiro do evento cirúrgico dentro das internações é ainda mais concentrado em procedimentos de alta complexidade com OPMe.

Fonte: ANS, Mapa Assistencial 2024; IESS, outubro 2025. R$ 102,7 bi: cálculo Evodux (40% × R$ 256,8 bi ANS/IESS).Evodux Intelligence
Exhibit 15
O pacote ancorado em protocolo precificado transfere o risco de severidade do pagador para o gestor de produção
Evodux 2024/2025. Base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados.
Fee for service
Variação de frequência
parcialmente gerenciável
Variação de severidade
risco integral da operadora
Ambos os riscos recaem sobre a operadora
Sinistro variável por evento, sem base técnica para auditoria de severidade
Severidade não auditável
Pacote com protocolo precificado
Variação de frequência
gerenciável via auditoria
Variação de severidade
risco do prestador
Severidade transferida ao gestor de produção
Custo contratável por evento, protocolo precificado como base de auditoria
Custo contratável

No pacote com protocolo precificado, a operadora contrata um resultado por evento, não um processo. A variação de custo por ausência de padronização no prestador deixa de ser sinistro da operadora e passa a ser margem não capturada pelo prestador. Os incentivos se alinham: o prestador que padroniza insumos melhora sua margem. A operadora que contrata com referência de protocolo reduz sua exposição a severidade não auditável.

Fonte: Evodux 2024/2025. Base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados.Evodux Intelligence
Exhibit 16
Operadora com 70 mil beneficiários registrou R$ 32 milhões de saving em 13 meses com 450 protocolos de alto custo precificados
Evodux 2024/2025. Case anonimizado. Operadora médio porte.
Beneficiários
70 mil
operadora de médio porte
Protocolos implantados
450
protocolos de alto custo precificados
Saving total em 13 meses
R$ 32 mi
saving sobre despesa assistencial
Saving por beneficiário
R$ 457
por beneficiário ao ano
Indicador derivadoValorBase de cálculo
Saving médio por protocolo implantado ao anoR$ 71.111R$ 32M / 450 protocolos / (13/12)
Saving por beneficiário ao anoR$ 457R$ 32M / 70.000 / (13/12)
Saving mensal sobre a baseR$ 2,46 milhõesR$ 32M / 13 meses
Período de implantação e mensuração13 mesesBase Evodux 2024/2025
Contextualização de escala
R$ 256,8 bi
despesas assistenciais totais das operadoras, 2024
R$ 102,7 bi
despesas com internações (40% do total)
R$ 457/benef.
saving por beneficiário ao ano com 450 protocolos precificados

Os 450 protocolos implantados cobrem procedimentos de alto custo, categoria que concentra a maior parte da despesa assistencial por evento. O saving de R$ 71.111 por protocolo ao ano reflete a magnitude da variação de custo não gerenciada que o protocolo precificado torna visível e eliminável.

Fonte: Evodux 2024/2025. Case anonimizado. Operadora de médio porte.Evodux Intelligence
Implicações da Seção 5
O que a lógica de valor do protocolo precificado para operadoras revela sobre o próximo ciclo de negociação contratual

O saving de R$ 32 milhões em 13 meses sobre uma base de 70 mil beneficiários não é resultado de renegociação de tabela nem de redução de cobertura. É resultado da substituição de sinistro variável por custo contratável em 450 protocolos de alto custo. Essa distinção é fundamental para o próximo ciclo de negociação entre operadoras e prestadores: a operadora que contratar com base em protocolo precificado não está pagando menos pelo mesmo serviço. Está pagando pelo custo real de produção de um protocolo padronizado, sem financiar a variação de insumo que no modelo anterior era invisível e irrastreável.

O saving de R$ 457 por beneficiário ao ano representa uma redução de sinistralidade que não requer aumento de prêmio nem redução de cobertura para ser sustentada. Realizado de forma consistente, tem impacto direto sobre a capacidade da operadora de manter índice de sinistralidade abaixo de 80% sem pressão sobre o reajuste anual.

A implicação para operadoras de maior porte é proporcional ao tamanho da carteira e à densidade de protocolos implantados. O saving de R$ 457 por beneficiário ao ano, documentado no case, escala com o volume de beneficiários e com o número de protocolos de alto custo precificados, desde que o perfil de carteira e a densidade de implantação sejam equivalentes. O protocolo precificado não é uma solução de nicho para operadoras de médio porte. É uma alavanca de resultado que o mercado suplementar como um todo ainda não capturou na escala que os dados indicam ser possível.

Síntese da Seção 5
O mercado de referência
R$ 256,8 bi
despesas assistenciais operadoras, 2024
R$ 102,7 bi
em internações, 40% do total, 0,47% do volume
A evidência do case
R$ 32 mi
saving em 13 meses, 70k beneficiários, 450 protocolos
R$ 457
por beneficiário ao ano, sem redução de cobertura
A operadora que controla frequência mas não controla severidade gerencia metade do risco cirúrgico. O protocolo precificado fecha essa metade.
Próxima seção: Para os hospitais, o protocolo precificado reverte o déficit operacional do centro cirúrgico em lucratividade. Um hospital de 180 leitos no Nordeste registrou R$ 12 milhões de saving acumulado em 16 meses e reverteu o déficit para lucro sem alteração de modelo assistencial.
Seção 06

Para os hospitais, o protocolo precificado reverte o déficit operacional do centro cirúrgico em lucratividade

Tese

O hospital sem protocolo precificado opera com custo por evento sistematicamente acima da remuneração contratada, déficit documentado em R$ 4.750 por procedimento em 70% dos pacotes avaliados. O protocolo precificado reverte esse desequilíbrio exclusivamente pelo lado do custo: padronização de insumos e escolha de protocolo reduzem o custo unitário por evento sem alteração de contrato com operadoras. Um hospital de 180 leitos no Nordeste implantou 872 protocolos precificados e reverteu margem de -16% para +14% em 16 meses, saving acumulado de R$ 12 milhões, sem modificar nenhum contrato vigente.

O Déficit Cirúrgico Estrutural documentado no primeiro estudo desta série demonstrou que 70% dos pacotes cirúrgicos avaliados apresentam remuneração inferior ao custo real de produção, com gap médio de R$ 4.750 por procedimento. Esse gap persiste porque o hospital não tem o custo real da jornada como número por evento: sem essa base, cada renegociação contratual com operadoras parte de percepção de mercado, não de evidência técnica. O protocolo precificado cria essa base. E ao criá-la, torna imediatamente visível que o gap não precisa ser fechado por renegociação de contrato. Pode ser fechado por redução de custo de produção.

A redução de custo opera pelos dois vetores da Seção 3: padronização de insumos, responsável por 66% do saving, e escolha estruturada de protocolo, responsável pelos 34% restantes. Em cirurgias com OPMe, onde esse componente responde por até 75% do custo total, a padronização de marca e especificação elimina a variação de custo por cirurgião e converte decisão individual em decisão institucional baseada em custo real por evento. O resultado não é uma redução marginal de despesa. É a reversão do desequilíbrio estrutural entre custo de produção e remuneração contratada.

A reversão ocorre sem alteração de contrato porque o mecanismo de geração de saving é interno ao hospital. A operadora continua remunerando o mesmo procedimento pelo mesmo valor. O que muda é o custo que o hospital incorre para produzir esse procedimento. Quando o custo cai abaixo da remuneração contratada, o evento cirúrgico passa de gerador de resultado negativo a gerador de margem positiva. O contrato não muda. O custo de produção muda.

Exhibit 17
O protocolo precificado rompe o ciclo entre déficit e ociosidade pelo custo de produção
Evodux 2024/2025. Estudo DCE, março 2026. Base de 134 pacotes.
Sem protocolo precificado
Custo elevado · insumos não padronizados
Remuneração abaixo do custo real
Déficit por evento · gap médio R$ 4.750
Sem base técnica para renegociar · ciclo se perpetua
Com protocolo precificado
Movimento 1 · Redução de custo · saving R$ 500 a R$ 3.000/evento
Movimento 2 · Base para renegociar · custo real documentado
Custo abaixo da remuneração · evento cirúrgico passa a gerar margem positiva

O Movimento 2, renegociação contratual com base no custo real documentado, não é pré-requisito para o saving inicial. O Movimento 1 gera saving imediato ao reduzir o custo abaixo da remuneração vigente. O Movimento 2 amplia o saving em ciclos posteriores ao realinhar a remuneração ao custo real de produção. A sequência natural é Movimento 1 primeiro, Movimento 2 quando o protocolo precificado estiver consolidado como referência contratual.

Fonte: Evodux 2024/2025. Estudo DCE, março 2026. Base de 134 pacotes cirúrgicos avaliados.Evodux Intelligence
Exhibit 18
Hospital de 180 leitos com 872 protocolos precificados reverteu margem de -16% para +14% em 16 meses
Evodux 2024/2025. Case anonimizado. Hospital médio porte, Nordeste.
Porte
180
leitos, Nordeste
872 protocolos precificados
Período
16 meses
de implantação e mensuração
Saving acumulado
R$ 12 mi
exclusivamente redução de custo
Variação de margem
+30 pp
de -16% para +14%
Margem operacional do centro cirúrgico: antes e depois da implantação dos protocolos precificados
-16%
Antes dos protocolos
+30 pp →
+14%
Após 16 meses de protocolos

A reversão de 30 pontos percentuais de margem decorre exclusivamente de redução de custo de produção. Nenhum contrato com operadoras foi alterado no período. O saving de R$ 12 milhões acumulado em 16 meses representa a diferença entre o custo de produção com insumos não padronizados e o custo com protocolos precificados implantados.

Fonte: Evodux 2024/2025. Case anonimizado. Hospital de médio porte, Nordeste.Evodux Intelligence
Implicações da Seção 6
O que a reversão de déficit para lucratividade sem alteração de contratos revela sobre a alavanca de resultado disponível para o setor hospitalar

A reversão de margem de -16% para +14% em 16 meses sem alteração de contratos demonstra que o desequilíbrio financeiro do centro cirúrgico privado não é primariamente um problema de remuneração inadequada. É um problema de custo de produção não gerenciado. O hospital que parte para a renegociação contratual sem ter reduzido seu custo de produção via protocolo precificado está negociando a partir de uma posição estruturalmente fraca: não tem o dado que provaria que a remuneração atual é insuficiente, e tampouco tem o dado que mostraria que a remuneração atual seria suficiente se o custo fosse gerenciado.

O saving de R$ 12 milhões em 16 meses sobre um hospital de 180 leitos representa uma transformação de resultado que nenhuma renegociação de tabela produziria no mesmo prazo. Na base de hospitais acompanhados pela Evodux, renegociações contratuais com operadoras raramente produzem resultado no mesmo ciclo em que o custo de produção cresce, porque dependem de aprovação da operadora e de evidência técnica que o hospital sem protocolo precificado não tem. A redução de custo via protocolo atua no mês seguinte à implantação e não depende de aprovação externa.

A implicação para o setor hospitalar privado como um todo é direta: a margem EBITDA de 10,7% documentada pelo Observatório Anahp 2025 e a glosa inicial de 17% no primeiro trimestre de 2025 são sintomas de um setor que tenta resolver pelo lado da receita um problema que tem solução pelo lado do custo. O protocolo precificado é a alavanca de resultado de maior retorno unitário disponível para hospitais privados no ciclo atual, realizável sem investimento de capital e sem alteração de modelo assistencial.

Síntese da Seção 6
O case documentado
-16%
margem operacional antes dos protocolos
+14%
margem após 16 meses de implantação
R$ 12 mi
saving acumulado, 180 leitos, 872 protocolos
O mecanismo
0
contratos alterados no período
+30 pp
variação de margem exclusivamente por redução de custo
0
investimento de capital requerido
O desequilíbrio financeiro do centro cirúrgico não é um problema de remuneração inadequada. É um problema de custo de produção não gerenciado. São instrumentos diferentes, com soluções diferentes e prazos de resultado diferentes.
Próxima seção: Perspectiva Evodux: o que os 4.800 protocolos revelam sobre o potencial de saving sistêmico ainda não capturado e o que muda quando operadoras e hospitais operam com o mesmo protocolo de referência.
Seção 07 · Perspectiva Evodux

O saving cirúrgico estrutural é o maior vetor de eficiência não capturado no setor

Perspectiva

O que os 4.800 protocolos cirúrgicos precificados revelam sobre o potencial sistêmico ainda não capturado e o que muda quando operadoras e hospitais operam com o mesmo protocolo de referência.

O envelhecimento populacional e o aumento da complexidade assistencial documentados pelo Observatório Anahp 2026 configuram a trajetória do mercado cirúrgico privado para a próxima década. A população brasileira com 65 anos ou mais passou de 5,84% em 2000 para 10,92% em 2022, com expectativa de vida de 76,8 anos em 2025 e taxa de fecundidade de 1,55 filho por mulher. Esse perfil demográfico amplia sistematicamente a demanda por procedimentos cirúrgicos de alta complexidade com OPMe, exatamente a categoria de maior saving unitário documentada neste estudo: R$ 3.000 por evento em hemodinâmica e vascular, onde OPMe representa até 82% do custo total. O mercado que não tiver protocolo precificado como instrumento de gestão enfrentará pressão de custo crescente sobre a categoria de maior risco financeiro unitário do sistema.

As despesas com saúde atingiram R$ 1,16 trilhão em 2025, equivalente a 9% do PIB brasileiro, com R$ 667,90 bilhões provenientes de recursos privados. Nesse contexto, 69,35% dos hospitais associados à Anahp já operam com modelos alternativos ao fee for service, e 14,52% afirmam que mais da metade de sua receita bruta provém de modelos diferentes do pagamento tradicional por procedimento. A migração para modelos alternativos está em curso. O problema documentado neste estudo é que essa migração ocorre, na maior parte dos casos, sem protocolo precificado como base contratual. Os hospitais que adotam pacotes sem protocolo precificado replicam em escala maior o desequilíbrio demonstrado na Seção 2: 70% dos pacotes cirúrgicos geram resultado negativo porque 90% precisam de padronização de insumos que nunca foi realizada.

O saving capturado pelo hospital via protocolo precificado é resultado operacional do hospital, não da operadora. A remuneração contratada permanece a mesma. O que muda é o custo de produção por evento, que cai abaixo da remuneração quando insumos são padronizados e protocolo é estruturado. A repactuação contratual com operadoras, quando ocorre, é um segundo movimento que usa o custo real documentado como base técnica para negociar pacotes cirúrgicos com remuneração alinhada ao custo real de produção. Os dois movimentos são independentes. O primeiro não requer aprovação da operadora. O segundo só é possível quando o primeiro já foi realizado.

Exhibit 20
Quando operadora e hospital operam com o mesmo protocolo precificado, três mecanismos mudam simultaneamente
Perspectiva Evodux. Base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados.
Protocolo precificado
referência comum operadora e hospital
Negociação contratual
Operadora tem histórico de sinistro. Hospital tem custo real de produção. Pela primeira vez, os dois lados da mesa têm base técnica equivalente para negociar valor por evento.
Glosa cirúrgica
Com protocolo precificado como referência, a glosa deixa de ser instrumento de ajuste de receita e passa a ser instrumento de auditoria de desvio de protocolo. A contestação torna-se técnica, não comercial.
Saving e lucratividade
O saving capturado pelo hospital é resultado operacional do hospital. A remuneração da operadora permanece inalterada. Repactuação contratual só ocorre em ciclo posterior, com nova base técnica de custo real.

O protocolo precificado é o instrumento que torna o saving visível, contratável e auditável. Sem ele, os três mecanismos acima permanecem fora do alcance operacional de operadoras e prestadores. Com ele, os incentivos de ambos os lados se alinham pela primeira vez na lógica de mercado cirúrgico suplementar brasileiro.

Fonte: Perspectiva Evodux. Base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados.Evodux Intelligence
O potencial não capturado
O que os 4.800 protocolos revelam sobre a escala do saving ainda disponível no mercado suplementar

O saving potencial de R$ 1,6 bilhão a R$ 9,9 bilhões calculado sobre as 3,3 milhões de cirurgias dos hospitais Anahp representa apenas a base verificável com os dados disponíveis. Os hospitais Anahp representam 13,46% do total de leitos privados do Brasil. O mercado cirúrgico suplementar como um todo opera em escala significativamente superior. O saving sistêmico não capturado pelo setor é proporcional ao gap entre o volume total de procedimentos realizados e o volume de procedimentos realizados com protocolo precificado como referência contratual. Esse gap, hoje, é próximo de 100%.

A migração de 69,35% dos hospitais associados à Anahp para modelos alternativos ao fee for service, documentada pelo Observatório Anahp 2026, confirma que o mercado está se movendo na direção certa. O problema é a velocidade e a sequência. Hospitais que migram para pacotes sem protocolo precificado chegam ao modelo correto pelo caminho errado: aceitam o risco de severidade do pacote sem ter construído o instrumento que torna esse risco gerenciável. O resultado é o documentado neste estudo: 70% dos pacotes cirúrgicos geram resultado negativo.

A base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados da Evodux representa a maior base proprietária de custeio granular por via clínica disponível no mercado suplementar brasileiro. O que ela revela não é apenas o saving por categoria. Revela que o custo real de produção do evento cirúrgico pode ser conhecido, padronizado e gerenciado. E que o mercado que operar com esse conhecimento como instrumento de contratação terá vantagem estrutural sobre o que não operar.

Saving Cirúrgico Estrutural · Evodux Intelligence · 2026
O saving cirúrgico estrutural existe, é mensurável e está distribuído de forma consistente entre especialidades, portes de instituição e perfis de operadora. Ele não depende de escala, de tecnologia ou de mudança de modelo assistencial. Depende de metodologia.
Operadoras e hospitais que seguem contratando eventos cirúrgicos sem protocolo precificado como referência não estão apenas deixando saving na mesa. Estão assumindo um risco de custo que cresce a cada renovação contratual sem base técnica.
O ciclo seguinte da saúde suplementar brasileira será definido pela capacidade de operadoras e prestadores converterem inteligência de custo em instrumento de contratação. Os que chegarem primeiro terão vantagem estrutural. Os que chegarem depois pagarão o custo de não ter chegado.
Referências

Fontes primárias e secundárias

Dados proprietários Evodux
Evodux. Análise de custos assistenciais em centros cirúrgicos: base de 4.800 protocolos cirúrgicos precificados. 2022 a 2025.
Evodux. Déficit Cirúrgico Estrutural: custo, ociosidade e precificação no centro cirúrgico privado brasileiro. Evodux Intelligence, março 2026.
Evodux. Análise de ocupação de centros cirúrgicos: coleta semanal por unidade. 9 hospitais privados, 2024 a 2025.
Evodux. Avaliação de 134 tipos de pacotes cirúrgicos por custeio por via clínica com metodologia de absorção. 2024 a 2025.
Fontes oficiais nacionais
Anahp. Observatório Anahp 2025: publicação anual da Associação Nacional de Hospitais Privados. Abril 2025.
Anahp. Observatório Anahp 2026: avanços e desafios no sistema de saúde. Maio 2026.
Anahp. Balanço Observatório Anahp: panorama trimestral financeiro e operacional da saúde suplementar. 3ª edição, setembro 2024.
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Mapa Assistencial da Saúde Suplementar. SIP/ANS/MS. Dados até junho 2025, publicação outubro 2025.
Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). A dinâmica da saúde suplementar no pós-pandemia: evolução da produção e das despesas assistenciais entre 2019 e 2024. Estudo Especial, outubro 2025.
CNES / Datasus. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde: recursos físicos. 2024.
Periódicos científicos indexados
Childers CP, Maggard-Gibbons M. Understanding costs of care in the operating room. JAMA Surgery 2018;153(4):e176233.

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