Déficit Cirúrgico
Estrutural
Custo, Ociosidade e Precificação no Centro Cirúrgico Privado Brasileiro
Este estudo originou-se da observação recorrente, na base de hospitais analisados pela Evodux entre 2022 e 2025, de um padrão uniforme de déficit operacional no centro cirúrgico que não possuía identificação própria nos sistemas de gestão das instituições. A pergunta central que motivou a pesquisa foi: qual é a estrutura do déficit do centro cirúrgico privado brasileiro, quais são seus vetores constitutivos e qual é sua magnitude quando projetado sobre o universo do setor?
A análise combina dados primários coletados diretamente nas instituições da base Evodux com fontes secundárias nacionais e internacionais. A contribuição específica deste estudo é a nomeação e mensuração do Déficit Cirúrgico Estrutural (DCE) como fenômeno composto, distinto dos indicadores convencionais de custo hospitalar, e a estimativa de sua magnitude agregada para o setor privado brasileiro.
Sumário Executivo
Universo: hospitais privados e filantrópicos brasileiros com 150+ leitos, setores cirúrgicos ativos.
Amostra de ocupação: 9 hospitais | coleta semanal por unidade | período 2024/2025.
Amostra de pacotes: 134 tipos avaliados por custeio por via clínica com metodologia TDABC adaptada.
Método de custeio: absorção com rateio de custo fixo por hora de sala produtiva.
Dados setoriais de referência: CNES/Datasus 2024, Planisa (2019/2021), Moodys Local (jan/2025).
Validação de benchmarks: JAMA Surgery 2018, Int J Health Policy Manag 2022, Harvard Business Review 2011.
Esta pesquisa foi conduzida de forma independente pela Evodux com recursos próprios. Nenhuma das instituições que compõem a base de dados financiou, patrocinou ou teve acesso prévio ao conteúdo deste estudo. Os dados de ocupação e custeio foram coletados diretamente pela equipe Evodux nas instituições participantes, que permaneceram anônimas. As estimativas setoriais derivadas de projeção sobre a base CNES 2024 são de responsabilidade exclusiva da Evodux e não representam posição oficial de nenhum órgão regulador ou associação setorial.
O Déficit Cirúrgico Estrutural (DCE)
O Déficit Cirúrgico Estrutural (DCE) designa a erosão de margem operacional produzida pela combinação de três vetores: subutilização da capacidade instalada de sala cirúrgica, remuneração contratada abaixo do custo de produção do protocolo, e perda financeira por eventos de cancelamento não contabilizados. Os três vetores operam de forma simultânea e interdependente: a subutilização eleva o custo unitário por procedimento; a precificação deficitária transforma cada cirurgia realizada em gerador de resultado negativo; o cancelamento produz custo imediato não recuperável e converte a vaga em capacidade ociosa, ampliando os dois vetores anteriores.
de Sala
vs. 70% necessário
Deficitária
abaixo do custo real
Não Monitorados
R$ 10 mil/evento
O DCE não possui categoria própria nos sistemas de gestão hospitalar convencional. Seus componentes estão distribuídos entre rubricas amplas: custos assistenciais, despesas de pessoal, materiais e insumos. Essa distribuição impede a atribuição direta do impacto ao centro cirúrgico como unidade de resultado. A consequência é que decisões de precificação, capacidade e agenda são tomadas sem base de custo granular por procedimento.
O déficit potencial do setor cirúrgico privado brasileiro, projetado sobre a base CNES 2024, supera R$ 138 bilhões anuais.
com CC ativo
estimadas
anual estimado*
Exhibit 1 | Magnitude do DCE no setor privado brasileiro | Base conservadora: hospitais 150+ leitos | CNES 2024 + Evodux 2024/2025
Indicadores setoriais de referência
| Indicador | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Hospitais privados e filantrópicos com CC ativo | ~3.900 | CNES/Datasus 2024 |
| Salas cirúrgicas estimadas, setor privado | ~23.000 | CNES 2024 + estimativa Evodux |
| Taxa de ocupação média observada, Brasil | 30 a 38% | Evodux 2024/2025; Planisa 2021 |
| Custo médio por hora de CC, Brasil | R$ 783 a R$ 1.840 | Planisa 2021 |
| Taxa de cancelamento cirúrgico | 8% a 18% | Evodux 2024/2025 |
| Déficit potencial agregado, hospitais 150+ | R$ 138 bilhões/ano | Estimativa Evodux |
Referências: CNES/Datasus 2024; Moodys Local. Setor de Saúde no Brasil, jan/2025; Planisa. Levantamento de Indicadores de CC, 2021.
Para dimensionamento comparativo: o orçamento consolidado do Ministério da Saúde para 2024 foi de R$ 254 bilhões. O déficit potencial estimado do centro cirúrgico privado brasileiro equivale a 54% desse valor. A estimativa não está presente em nenhuma base de dados pública, relatório setorial ou documento de governança hospitalar disponível.
Alcance e limitações da estimativa
A estimativa de R$ 138 bilhões constitui uma projeção de ordem de magnitude, não um valor preciso. Três fontes de incerteza estrutural devem ser consideradas na interpretação: (1) a taxa de ocupação média de 30% pode variar entre 25% e 45% dependendo do perfil assistencial e da localização da instituição; (2) o déficit médio por sala de R$ 40 mil pode apresentar variação de 30% a 50% entre hospitais de diferentes portes; (3) o universo estimado de 9.600 salas resulta de projeção conservadora a partir da base CNES 2024 e pode ser 20% a 40% superior considerando salas não registradas.
Validação cruzada da estimativa central
O déficit unitário de R$ 40 mil por sala por dia é derivado de duas fontes independentes que convergem para o mesmo intervalo. Via Evodux (bottom-up): custo médio mensal documentado de R$ 1,8 milhão por CC, dividido por 30 salas-dia, produz custo de R$ 60 mil/dia; com receita média documentada de R$ 20 mil/dia, o déficit unitário é R$ 40 mil. Via Planisa (top-down): custo hora de sala de R$ 783 a R$ 1.840 aplicado a 12 horas de capacidade instalada diária resulta em custo de R$ 9.400 a R$ 22.100 por sala em operação — a uma taxa de ocupação de 30%, o custo não coberto por receita converge para o mesmo intervalo de R$ 35 mil a R$ 45 mil por sala por dia.
A parcela fixa do custo operacional do centro cirúrgico representa 85% ou mais do total, independentemente do volume de procedimentos realizados.
A estrutura de custo do centro cirúrgico é predominantemente fixa. Uma sala em condição de prontidão sem procedimento agendado incorre em custo equivalente a 85% a 95% do custo de uma sala em operação plena. Essa característica implica que a taxa de ocupação, e não o volume de procedimentos, é a variável determinante do resultado financeiro do setor.
Classificação dos componentes de custo por comportamento em sala sem procedimento
| Componente | Classificação | Comportamento sem procedimento |
|---|---|---|
| Equipe multiprofissional | Fixo | Custo integral incorrido |
| Manutenção de equipamentos | Fixo | Obrigação contratual contínua |
| Energia elétrica, gases medicinais, climatização | Fixo | Consumo independente de utilização |
| Central de material esterilizado | Semi-variável | Piso fixo obrigatório de operação |
| Insumos e instrumentais cirúrgicos | Variável | Custo incorrido apenas em procedimentos |
| Robótica cirúrgica: depreciação e manutenção | Fixo | Independente de taxa de utilização |
Referência: Childers CP, Maggard-Gibbons M. JAMA Surgery. 2018;153(4):e176233.
A independência da maior parte dos componentes de custo em relação ao volume realizado cria uma assimetria estrutural: a decisão de dimensionamento da capacidade instalada determina o custo fixo permanente da instituição, independentemente de como essa capacidade é utilizada ao longo do tempo. Hospitais dimensionados para o pico de demanda semanal incorrem no custo total da capacidade durante os períodos de baixa utilização.
A taxa de ocupação de 30% implica que 70% da capacidade instalada incorre em custo sem geração de receita correspondente.
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Custo por sala / dia | R$ 60.000 |
| Receita por sala / dia | R$ 20.000 |
| Déficit por sala / dia | R$ 40.000 |
| Déficit por sala / mês | R$ 1,2 milhão |
| Déficit por sala / ano | R$ 14,4 milhões |
Exhibit 2 | O déficit diário de R$ 40 mil por sala decorre da diferença entre custo fixo e receita variável | Evodux 2024/2025
Exhibit 3 | A distribuição de ocupação semanal revela subutilização crônica mascarada por concentração de pico
| Período | Ocupação | Desvio da meta |
|---|---|---|
| Terça-feira | 78% | +8 p.p. |
| Quarta-feira | 72% | +2 p.p. |
| Segunda-feira | 55% | −15 p.p. |
| Quinta-feira | 61% | −9 p.p. |
| Sexta-feira manhã | 48% | −22 p.p. |
| Sexta-feira tarde | 11% | −59 p.p. |
A concentração de procedimentos na terça-feira, com taxa de ocupação de 78%, produz percepção de restrição de capacidade e fundamenta decisões de ampliação da estrutura instalada. A análise por janela semanal revela padrão oposto: a variação de 67 pontos percentuais entre o dia de maior ocupação e o vale de sexta-feira à tarde indica desequilíbrio de distribuição de agenda, não insuficiência de capacidade.
Exhibit 4 | O Brasil opera sistematicamente abaixo do limiar de viabilidade em comparação com benchmarks internacionais
Exhibit 5 | O impacto financeiro da subutilização escala proporcionalmente ao número de salas instaladas
Em 70% dos contratos de pacotes cirúrgicos avaliados, a remuneração praticada é inferior ao custo de produção do protocolo.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Remuneração contratada, operadora | R$ 5.000 |
| Custo real de produção, mínimo | R$ 7.500 |
| Custo real de produção, máximo | R$ 12.000 |
| Déficit mínimo por procedimento | R$ 2.500 |
| Déficit máximo por procedimento | R$ 7.000 |
| Déficit médio (base Evodux) | R$ 4.750 |
Exhibit 6 | A diferença entre remuneração contratada e custo real varia de R$ 2.500 a R$ 7.000 por procedimento | 134 pacotes | Evodux 2024/2025. Kaplan RS, Porter ME. HBR. 2011.
Mecanismo de geração do déficit de precificação
O déficit de precificação não resulta de erro de negociação ou de política deliberada das operadoras. Resulta de assimetria estrutural de informação: operadoras constroem base histórica de sinistro por procedimento ao longo de anos de operação; o custeio por via clínica com granularidade comparável é uma metodologia de implantação recente no setor prestador brasileiro. Contratos firmados antes dessa metodologia estar disponível utilizam médias históricas de mercado como referência de valor — base que sistematicamente subestima o custo real de produção ao não incorporar as variáveis listadas abaixo.
Variáveis de custo de protocolo ausentes da base de precificação contratual
| Variável de custo do protocolo | Incorporada na base de precificação? |
|---|---|
| Tempo real de sala: setup, cirurgia, limpeza e troca | Não |
| Hora-equipe desagregada por função e especialidade | Não |
| Consumo médio de insumos por via clínica e complexidade | Não |
| Custo de esterilização por kit cirúrgico | Não |
| Depreciação de equipamentos alocada por procedimento | Não |
| Variação de custo por gravidade e complexidade do caso | Raramente |
| Custo de recuperação pós-anestésica e hotelaria | Parcial |
A metodologia TDABC (Time-Driven Activity-Based Costing), desenvolvida por Kaplan e Porter (Harvard Business Review, 2011), documenta que a remuneração praticada por operadoras cobre entre 70% e 80% do custo real de produção na ausência de custeio granular por protocolo. O estudo Evodux identifica resultado consistente com essa referência na base brasileira.
Cada evento de cancelamento cirúrgico produz custo médio de R$ 10 mil, integralmente não recuperável, e amplifica os demais vetores do DCE.
O cancelamento cirúrgico é o único vetor do DCE que opera de forma simultânea sobre os outros dois: produz perda financeira imediata e converte a capacidade liberada em ociosidade adicional. O indicador formal de custo de cancelamento está ausente da base das instituições analisadas, o que impede a mensuração e o gerenciamento do impacto.
Dimensão financeira
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Custo médio por evento | R$ 10.000 |
| Taxa observada (base Evodux) | 8% a 18% |
| Taxa de referência internacional | até 14% |
| Impacto mensal estimado¹ | R$ 200.000 |
| Impacto anual estimado¹ | R$ 2,4 milhões |
¹ Base: 10% de cancelamentos em 200 cirurgias/mês | Evodux 2024/2025. Kumar R. et al. J Clin Anesthesia. 2021.
Itens de custo por evento
| Item ativado antes do cancelamento | Recuperável? |
|---|---|
| Hora-equipe mobilizada | Não |
| Insumos abertos e preparados | Não |
| Hora de sala em prontidão | Não |
| Processo de autorização | Não |
| Custo de internação | Parcial |
Causas de cancelamento e mecanismo de impacto sobre o DCE
| Causa | Freq. | Mecanismo de amplificação do DCE |
|---|---|---|
| Ausência de autorização ativa com a operadora (48–72h) | Alta | Cancelamento de última hora: custo total ativado, não recuperável |
| Ausência de checklist pré-operatório padronizado | Alta | Condições clínicas ou documentais verificadas apenas no dia |
| Ausência de protocolo de encaixe para capacidade liberada | Alta | Cancelamento converte-se em ociosidade não gerenciada |
| Reserva de sala sem confirmação de agenda do cirurgião | Média | Capacidade bloqueada: até R$ 60 mil/dia de custo ocioso |
A redução da taxa de cancelamento por implantação de protocolo de autorização ativa tem impacto financeiro direto e imediato. Cada ponto percentual de redução em uma base de 200 cirurgias mensais equivale a R$ 20 mil de custo evitado por mês. O protocolo de encaixe para capacidade liberada produz adicionalmente ganho de ocupação, reduzindo o impacto do Vetor 1.
Sete lacunas de gestão, recorrentes e independentes de porte institucional, explicam a totalidade do DCE documentado.
A análise da base Evodux identifica padrão consistente: as mesmas sete lacunas se repetem nas instituições analisadas independentemente de porte, localização ou perfil assistencial. Esse padrão indica que o DCE não é consequência de decisões gerenciais específicas, mas de uma configuração estrutural do modelo de gestão de custos do setor.
| Lacuna de gestão | Impacto financeiro direto | Evidência Evodux |
|---|---|---|
| Custo hora do CC não calculado | Precificação contratual sem base de custo real | 70% dos pacotes com remuneração deficitária |
| Ausência de custeio granular por protocolo | Déficit de R$ 2.500 a R$ 7.000 por procedimento | 134 tipos de pacotes avaliados |
| Ocupação não monitorada por janela temporal | Subutilização de 89% na pior janela semanal | 9 hospitais | 2024/2025 |
| Cancelamentos sem indicador de custo formal | R$ 10.000 por evento não mensurado | 8% a 18% das cirurgias agendadas |
| Capacidade bloqueada sem produção associada | Até R$ 60.000 por dia por sala | Evodux 2024/2025 |
| Pacotes sem estratificação por complexidade | Alta complexidade remunerada como simples | Estrutural |
| Ausência de atualização contratual periódica | Defasagem acumulada frente à inflação médica | Estrutural |
O diagnóstico de maturidade gerencial identifica lacuna sistemática de inteligência de custo em seis dimensões operacionais do centro cirúrgico.
O diagnóstico de maturidade aplicou seis indicadores de disponibilidade de inteligência de custo do centro cirúrgico à base Evodux. Em todas as seis dimensões, o dado requerido não está estruturado como indicador de gestão. O padrão é uniforme independentemente de porte, localização ou perfil assistencial das instituições.
| Indicador de maturidade | Dado requerido | Disponibilidade |
|---|---|---|
| Custo real por hora de sala cirúrgica | Custo fixo + variável / horas produtivas | Não disponível |
| Custo por protocolo cirúrgico | Ficha de custeio por via clínica | Não disponível |
| Taxa de cancelamento com impacto financeiro | Indicador formal com valor em reais | Não disponível |
| Taxa de ocupação por janela temporal | Horas produtivas / horas disponíveis por período | Raramente disponível |
| Contratos com remuneração abaixo do custo | Custo por protocolo vs. remuneração contratada | Não disponível |
| Resultado financeiro do CC por período | P&L segmentado por unidade de custo | Raramente disponível |
Fonte: Evodux | Diagnóstico de maturidade em gestão de custos assistenciais | 2024/2025
A uniformidade da lacuna de inteligência de custo por procedimento indica que o déficit documentado não é produto de configuração gerencial específica, mas de ausência metodológica estrutural no setor: os sistemas de informação hospitalar registram os eventos operacionais, mas não os convertem em inteligência de custo estruturada por unidade de resultado. A disponibilidade dessa inteligência é a pré-condição para que qualquer das sete lacunas identificadas seja endereçada.
O DCE é um déficit de escala sistêmica, estruturalmente invisível nos instrumentos convencionais de gestão, e tecnicamente reversível por meio de inteligência de custo por procedimento.
O Déficit Cirúrgico Estrutural resulta da combinação de três distorções operacionais: subutilização, precificação deficitária e cancelamentos não monitorados, que operam de forma interdependente e se reforçam mutuamente. A magnitude agregada estimada para o setor privado com 150 ou mais leitos supera R$ 138 bilhões anuais, valor sem equivalente em qualquer base de dados ou relatório setorial disponível.
A característica estrutural do DCE — sua invisibilidade nos sistemas de gestão convencional — é simultaneamente sua causa de persistência e a condição que torna sua reversão tecnicamente acessível. As sete lacunas identificadas não requerem alteração de modelo assistencial nem investimento de capital. Requerem, como pré-condição única, a implantação de custeio granular por via clínica.
Pesquisa conduzida pela equipe de inteligência de custos assistenciais da Evodux. Os dados primários foram coletados com a colaboração das equipes de controladoria e gestão assistencial das instituições participantes, que permaneceram anônimas por acordo de confidencialidade. A validação metodológica contou com revisão interna de especialistas em custeio hospitalar e finanças de saúde suplementar.
Referências
Evodux. Análise de custos assistenciais em centros cirúrgicos. 2024/2025.
CNES/Datasus. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde: Recursos Físicos. 2024.
Moodys Local. Setor de Saúde no Brasil: Estrutura, Cobertura e Perspectivas. jan/2025.
Planisa. Levantamento de Indicadores de Centros Cirúrgicos. 2019 e 2021.
Childers CP, Maggard-Gibbons M. JAMA Surgery. 2018;153(4):e176233.
Botman M. et al. Int J Health Policy Manag. 2022;11(11):2672–2280.
Kaplan RS, Porter ME. Harvard Business Review. 2011.
Kumar R. et al. Journal of Clinical Anesthesia. 2021.
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