Evodux Intelligence
Playbook Estratégico

Pacotes Assistenciais como Unidade de Negócio

70% dos pacotes cirúrgicos no Brasil geram prejuízo ao prestador. Este playbook descreve os três movimentos estratégicos para reverter essa equação e capturar o mercado de desembolso direto em saúde que cresceu 23% no último ano.

O Problema Central

O prestador aceita o pacote. Mas não sabe o que está aceitando.

No modelo atual, operadoras de saúde contratam pacotes cirúrgicos com base em tabelas genéricas que não refletem o custo real da jornada assistencial. O prestador aceita o pacote sem protocolo padronizado e sem mapeamento de custo por componente. O resultado é previsível e documentado pela base Evodux.

70%
dos pacotes cirúrgicos geram prejuízo ao prestador
Base Evodux · 8.500 pacotes cirúrgicos analisados
32%
de diferença entre custo real e valor recebido por tabela
Base Evodux · análise comparativa por protocolo
+23%
de crescimento do mercado de desembolso direto no último ano
Base Evodux · ANS · IBGE Conta-Satélite 2024

Esses três números definem o argumento deste paper. O mercado que cresce não é o de reembolso — é o de desembolso direto. A oportunidade pertence aos prestadores que saírem da lógica de tabela e estruturarem pacotes com custo real, protocolo padronizado e margem protegida.

Estrutura do Argumento

Situação, Complicação e Resolução

Situação
O maior mercado de saúde do Brasil não é o de planos
O desembolso direto responde por mais de 55% do gasto privado em saúde e cresceu 23% no último ano. Esse mercado cresce por razões estruturais e ainda não tem oferta organizada do lado dos prestadores.
Complicação
70% dos pacotes cirúrgicos geram prejuízo ao hospital
O prestador aceita pacotes genéricos sem protocolo e sem custo real mapeado. A diferença entre o valor recebido por tabela e o custo real da jornada cirúrgica chega a 32%. Sem protocolo, sem precificação e sem provisão para variabilidade, o pacote não é um produto — é uma posição de risco.
Resolução
Três movimentos para transformar o pacote em unidade de negócio
Prestadores que dominam a engenharia do pacote assistencial saem da posição passiva de tabela e passam a definir as condições da transação — tanto com operadoras quanto no mercado de desembolso direto. Este playbook descreve como.
Executive Summary

Quatro teses sobre um mercado que já está em movimento

O desembolso direto é o maior mercado de saúde do Brasil e cresceu 23% no último ano. Mais de 55% do gasto privado em saúde no Brasil sai diretamente do bolso dos cidadãos.

70% dos pacotes cirúrgicos no Brasil geram prejuízo ao hospital. A causa não é clínica. É a ausência de protocolo padronizado e de precificação por custo real. A diferença entre o valor recebido por tabela e o custo real de um pacote cirúrgico chega a 32%. Sete em cada dez cirurgias encerram com resultado financeiro negativo para o hospital, documentado em 8.500 pacotes analisados pela base Evodux.

Três movimentos convertem o pacote de posição de risco em unidade de negócio. Definir a jornada como produto com escopo auditável. Precificar pelo custo real com variabilidade provisionada. Posicionar a oferta no mercado de desembolso direto com proposta de valor diferenciada por perfil de comprador.

Os resultados dos casos documentados neste paper confirmam o impacto econômico dos três movimentos. Uma operadora de saúde em São Paulo reduziu 27% o custo em cirurgias de alta complexidade e acumulou R$ 167 milhões em saving em 14 meses. Um hospital em Minas Gerais reduziu 17% o prejuízo em pacotes de coluna e ortopedia, com saving de R$ 33 milhões em 15 meses.

Base Analítica

A infraestrutura que sustenta este playbook

20mil+
Protocolos assistenciais precificados
R$1,6bi
Em resultados gerados para clientes
8.500
Pacotes cirúrgicos precificados
850
Jornadas pay-per-use estruturadas
800
Jornadas de oncologia mapeadas
8.400
Pacotes clínicos e jornadas de diagnóstico

Fonte: Base proprietária Evodux. Resultados gerados junto a clientes do setor de saúde suplementar no Brasil.

01
Definir a Jornada como Produto
Mapear atores, etapas e variabilidades clínicas e transformar essa jornada em uma oferta com escopo, preço e entrega definidos — antes de qualquer negociação de preço.

O pacote assistencial não começa no preço. Começa no protocolo clínico. Sem protocolo estruturado, sem mapeamento de atores e sem definição de escopo, a precificação ocorre por tabela ou por intuição, e o resultado, documentado em 8.500 pacotes cirúrgicos analisados, é prejuízo em 70% dos casos.

Tipologia de Jornadas Assistenciais

ModalidadeHorizonte temporalAtores envolvidosVariabilidade clínicaRisco sem protocolo
DiagnósticaEpisódio únicoBaixo (2–3 atores)BaixaGerenciável
ClínicaDias a semanasMédio (3–5 atores)ModeradaSignificativo
CirúrgicaEpisódio + recuperaçãoAlto (5–8 atores)Moderada–Alta70% geram prejuízo
OncológicaMeses a anosMuito alto (8+ atores)AltaMuito crítico

Fonte: Base Evodux · análise de 20.000+ protocolos precificados.

Quatro etapas para transformar a jornada em produto

1
Mapeamento clínico
Protocolo, etapas de cuidado e critérios de inclusão e exclusão do pacote
2
Identificação de atores
Todos os prestadores envolvidos, seus papéis e custos individuais
3
Mapeamento de variabilidade
Eventos esperados, complicações e impacto sobre o custo real
4
Definição de escopo
O que está incluído, o que está excluído e como a oferta é comunicada
O pacote assistencial não começa no preço. Começa no protocolo clínico. A precisão do escopo é o que transforma um conjunto de procedimentos em um produto que pode ser ofertado, precificado e entregue com consistência — e auditado por qualquer operadora.
02
Precificar com Margem Protegida
Estruturar o custo real de cada etapa, incorporar variabilidade clínica esperada e definir o preço como instrumento de competitividade — não como derivação de tabela.

Uma diferença de 32% entre o valor recebido por tabela e o custo real de um pacote cirúrgico não é desvio pontual. É o resultado sistemático de um modelo de precificação que ignora o custo por componente, não provisiona para variabilidade clínica e trata tabelas genéricas como referência de valor.

O mecanismo do prejuízo cirúrgico

Waterfall de custo | Como o pacote genérico transforma receita em déficit · Médias ponderadas por especialidade · Base Evodux

0 25% 50% 75% 100% 100% Receita por tabela −25% Honorários médicos −20% Taxas hospitalares −35% OPME e materiais −12% Variabilidade não prevista −20% Resultado final: déficit zero +8–12% Com protocolo: margem positiva Fonte: Base Evodux · estrutura de custo de 8.500 pacotes cirúrgicos precificados. Médias ponderadas por especialidade.

Componentes do custo real do pacote assistencial

CategoriaPeso relativo típicoPrincipais drivers de variabilidadePrevisto na tabela?
OPME e materiais especiais25–45%Tipo de procedimento, complexidade, fornecedorParcial
Equipe médica e anestesia20–30%Duração, especialidade, modelo de contrataçãoParcial
Infraestrutura (CC, diária, recuperação)15–25%Tempo de ocupação, tempo de permanênciaParcial
Medicamentos e insumos10–15%Protocolo terapêutico, perfil do pacienteNão
Provisão para variabilidade clínica5–10%Taxa histórica de itens fora de pacote e complicaçõesNunca

Fonte: Base proprietária Evodux · estrutura de custo de 8.500 pacotes cirúrgicos precificados.

Tabela vs. custo real: a diferença que define a margem

Precificação por Tabela — Situação Atual
Honorários médicos → Tabela
Taxas hospitalares → Tabela
OPME → Tabela
Variabilidade → Não previsto — absorvido pelo prestador

Diferença média: −32%
70% dos pacotes cirúrgicos resultam em prejuízo ao hospital.
Precificação por Custo Real — Posição de Controle
Honorários médicos → Custo real
Taxas hospitalares → Custo real
OPME → Custo real
Provisão variabilidade → Provisionado

Margem protegida e previsível
Variabilidade incorporada. Risco remunerado. Posição de controle na negociação.
A precificação pelo custo real não é uma escolha técnica — é uma posição estratégica. É ela que determina se o pacote assistencial será um instrumento de crescimento ou uma fonte sistemática de erosão de margem.
03
Posicionar no Mercado de Desembolso Direto
Endereçar os dois perfis de comprador, construir a proposta de valor para cada um e ocupar o espaço competitivo antes que ele se consolide em torno de outros ofertantes.

Mais de 55% do gasto privado em saúde no Brasil sai diretamente do bolso dos cidadãos, segundo o IESS com base em dados de 2024. Esse mercado cresceu 23% no último ano. Dois perfis de comprador alimentam esse crescimento com motivações distintas: o beneficiário sem plano, que busca jornada de cuidado com preço previsível, e o beneficiário com plano, que compra fora da cobertura por velocidade, qualidade percebida ou escopo não coberto.

O pacote estruturado no Movimento 1 e precificado no Movimento 2 só captura esse mercado se posicionado com proposta de valor diferenciada para cada perfil. A vantagem competitiva pertence a quem ocupar o espaço antes que ele se consolide em torno de outros ofertantes.

O maior mercado de saúde do Brasil ainda não tem oferta organizada

+23%
Crescimento do mercado no último ano
55%+
Share do gasto privado em saúde (out-of-pocket)
Minoria
Prestadores com oferta estruturada no mercado

Os dois perfis do mercado de desembolso direto

DimensãoBeneficiário sem planoBeneficiário com plano (fora da cobertura)Implicação para o prestador
Motivação principalAcesso a cuidado de qualidade com custo previsívelVelocidade, controle e qualidade percebidaDois produtos distintos, mesmo pacote técnico
Critério de decisãoPreço total, escopo coberto, parcelamentoReputação do prestador, tempo de acessoA comunicação da oferta precisa ser diferente
Sensibilidade a preçoAltaModeradaEstratégia de precificação diferenciada por segmento
Proposta de valor centralPrevisibilidade e coordenação de cuidadoConveniência e autonomia sobre a jornadaPosicionamento diferenciado por segmento
O mercado de desembolso direto não espera que o prestador esteja pronto. Cresce por estrutura e remunera quem entrega coordenação, previsibilidade e resultado clínico com preço definido. A posição competitiva se constrói agora.
Evidências de Mercado

Dois casos reais. Dois lados da transação.

Os três movimentos descritos neste playbook foram aplicados em duas organizações com perfis distintos — uma operadora de saúde e um hospital. Os resultados documentados a seguir foram gerados em horizontes de 14 e 15 meses, respectivamente, e calculados em relação ao custo projetado pelo histórico do ano anterior para as mesmas especialidades e volumes.

Caso 01 · Operadora de Saúde
Redução de 27% no custo de cirurgias de alta complexidade
Plano de saúde corporativo · São Paulo · 14 meses de análise
R$167M
Saving total em 14 meses
−27%
Redução de custo em alta complexidade

Linha de base

Custo projetado nas especialidades de cirurgia cardíaca, coluna e bariátrica para 14 meses, com base na trajetória do ano anterior: R$ 619 milhões. O saving de R$ 167 milhões representa 27% de redução sobre essa base. Pacotes contratados sem protocolo clínico definido e com variabilidade de faturamento sistemática por itens fora de escopo.

Intervenção

Estruturação de pacotes por especialidade com protocolo clínico precificado por componente, definição de escopo com critérios de inclusão e exclusão auditáveis e renegociação contratual com prestadores a partir da base de custo real. Variabilidade de faturamento monitorada mensalmente como indicador de aderência ao protocolo.

Custo projetado · Base anterior
R$619M
Cirurgias cardíacas, de coluna e bariátricas · 14 meses · trajetória do ano anterior
Custo realizado · Após protocolos
R$452M
Redução de 27% sobre a base · Saving de R$ 167 milhões em 14 meses

Especialidades: cirurgia cardíaca, de coluna e bariátrica · −27% redução de custo em alta complexidade. Fonte: Base proprietária Evodux.

Caso 02 · Hospital
Redução de 17% no prejuízo com pacotes de coluna e ortopedia
Hospital de médio porte · Minas Gerais · 15 meses de análise
R$33M
Saving total em 15 meses
−17%
Redução do prejuízo em coluna e ortopedia

Linha de base

Prejuízo projetado nas especialidades de coluna e ortopedia para 15 meses, com base na trajetória do ano anterior: R$ 194 milhões. O saving de R$ 33 milhões representa redução de 17% sobre esse déficit projetado. OPME sem padronização respondia por 48% da variabilidade de custo identificada.

Intervenção

Implantação de protocolos assistenciais precificados para os 12 procedimentos de maior volume em coluna e ortopedia, com padronização de OPME por fornecedor homologado, definição de escopo por pacote e provisão para variabilidade com base na taxa histórica de complicações da própria instituição.

Composição do prejuízo e resultado da intervenção

Antes · Estrutura do prejuízo
OPME não padronizado: 48%
Itens fora de escopo do pacote: 31%
Tempo de permanência acima do previsto: 21%
Após 15 meses · Resultado por driver
OPME padronizado: −34% custo unitário
Variabilidade de faturamento: −61% ocorrências
Tempo médio de permanência: −18% vs. base

Resultado: −17% no prejuízo · Saving de R$ 33M

Síntese comparativa dos dois casos

OrganizaçãoEspecialidadesHorizonteBase projetadaResultadoSaving total
Operadora São Paulo Cardíaca, coluna, bariátrica 14 meses R$ 619M −27% custo médio R$ 167M
Hospital Minas Gerais Coluna, ortopedia 15 meses R$ 194M (déficit) −17% no prejuízo R$ 33M

Resultados consolidados · Base Evodux · Identidade das organizações preservada por acordo de confidencialidade.

Conclusão

O protocolo precificado é o novo ativo estratégico do prestador.

Setenta por cento dos pacotes cirúrgicos geram prejuízo ao hospital. Esse número não descreve uma dificuldade operacional. Descreve a consequência estrutural de um modelo em que o preço é derivado de tabela genérica, o escopo não é definido e a variabilidade clínica não é provisionada. A correção desse modelo não exige mudança de negócio. Exige protocolo, custo real e escopo auditável.

Os dois casos documentados neste paper — R$ 167 milhões em saving para uma operadora em São Paulo e R$ 33 milhões para um hospital em Minas Gerais — confirmam que os três movimentos produzem resultado econômico mensurável em contextos distintos, com horizontes entre 14 e 15 meses. O mecanismo é idêntico nos dois: protocolo clínico estruturado, custo real por componente e escopo como fundação da transação.

Os três movimentos são sequenciais não apenas na lógica do argumento, mas na prática: sem a engenharia do produto no Movimento 1, a precificação do Movimento 2 não tem base técnica; sem precificação por custo real, o posicionamento no mercado de desembolso direto do Movimento 3 é ilusório.

Durante décadas, o ativo estratégico do prestador de saúde foi equipamento, capacidade instalada e reputação clínica. O protocolo precificado está se tornando mais valioso do que qualquer um deles. É ele que determina a margem de cada cirurgia, a posição na negociação com operadoras e a capacidade de capturar um mercado que cresce sem oferta organizada. Quem o detém define o preço. Quem não o detém aceita o da tabela.

evodux
Inteligência estratégica em saúde suplementar. Mais de R$ 1,6 bilhão em resultados gerados para clientes do setor por meio de protocolos precificados, novos modelos de remuneração e estruturação de pacotes assistenciais.
evodux.com

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