Evodux Intelligence
Abril 2026
Análise Setorial
Ociosidade hospitalar no setor privado brasileiro: mensuração, causas e cenários
Estudo de caso com referencial setorial ANAHP 2025 · Hospital de médio porte, região Sudeste, 1S/2025
46,88%
Taxa de ocupação global da instituição analisada, contra 78,97% da média ANAHP
R$ 13,97 mi
Custo direto da ociosidade em 2025, calculado sobre custos de pessoal (CLT e PJ)
R$ 0,54
Sem receita correspondente a cada R$ 1,00 de custo direto de pessoal no período
O contraste setorial
Lucro agregado, ociosidade estrutural

A taxa de ocupação média dos hospitais privados brasileiros atingiu 78,97% em 2024, o maior nível desde 2021 (Observatório ANAHP 2025). No mesmo período, o sistema suplementar registrou lucro de R$ 24,4 bilhões, dos quais 63% originaram-se de aplicações financeiras, não da atividade assistencial (ANS, Painel Econômico-Financeiro, fechamento 2025). O desempenho financeiro agregado do setor coexiste com ociosidade estrutural em parcela relevante do parque hospitalar privado.

A análise Evodux de um hospital de médio porte da região Sudeste documenta o custo dessa ociosidade com base em dados operacionais do primeiro semestre de 2025. A instituição registrou taxa de ocupação global de 46,88%, contra 78,97% da média ANAHP para hospitais privados. A cada R$ 1,00 de custo direto de pessoal incorrido no período, R$ 0,54 não geraram receita correspondente.

A ociosidade não se distribui de forma uniforme entre as unidades. Duas unidades, UTI Adulto (90,03%) e Emergência (84,17%), operam dentro ou acima dos parâmetros ANAHP. Três unidades operam em faixa crítica: Obstetrícia (36,11%), Nefrologia (41,38%) e UTI Neonatal (41,78%), com distância de 25 a 31 pontos percentuais em relação aos referenciais setoriais para as mesmas especialidades. Essa assimetria determina tanto a magnitude do problema quanto a priorização das intervenções disponíveis.

Figura 1
Taxa de ocupação por unidade: instituição analisada vs. referencial ANAHP 2024
Percentual · 1S/2025 · Escala 0 a 100%
UTI Adulto
90,03%
Emergência
84,17%
Cardiologia
73,67%
Pediatria
48,33%
Ginecologia
48,33%
Clínica Médica
47,23%
UTI Neonatal
41,78%
Nefrologia
41,38%
Obstetrícia
36,11%
Dentro ou acima do referencial Faixa intermediária Faixa crítica Referencial ANAHP 2024 (quando disponível)
Fontes: análise Evodux; Observatório ANAHP 2025
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Mensuração
O custo direto da ociosidade

O custo direto da ociosidade no exercício de 2025, calculado sobre custos de pessoal (CLT e PJ), alcança R$ 13,97 milhões. Esse valor constitui um piso: custos indiretos, incluindo energia, manutenção e infraestrutura administrativa, não foram incluídos por ausência de critérios de rateio consolidados na instituição. Com base na proporção registrada pelo Observatório ANAHP 2025, em que pessoal representa 39,03% das despesas totais, a estimativa do custo real da ociosidade ultrapassa R$ 19 milhões no exercício. A Confederação das Santas Casas de Misericórdia registra que a Tabela SUS cobre menos de 50% do custo real dos procedimentos (CMB, 2024). Para hospitais de médio porte, custos fixos representam entre 60% e 70% do custo total de operação, independentemente do volume atendido (Bittar, Revista de Administração em Saúde, 2024; Moody's Local Brasil, 2025).

Projeções
Três cenários para 2025 e 2026

Três cenários foram projetados para 2025 e 2026 com premissas declaradas. No cenário base, sem intervenção nos determinantes identificados, o custo da ociosidade alcança R$ 13,97 milhões em 2025 e R$ 14,9 milhões em 2026, refletindo a pressão crescente de custos de pessoal documentada pelo Observatório ANAHP. O cenário moderado projeta redução de R$ 1,91 milhão via elevação de ocupação para 55% a 65% nas unidades com maior potencial, em horizonte de 12 a 18 meses. O cenário otimista projeta redução de R$ 4,5 milhões mediante reversão de mix de receita, em horizonte de 24 a 36 meses.

Figura 2
Custo projetado da ociosidade por cenário: 2025 e 2026
R$ milhões · Premissas declaradas · Escala 0 a 15
2025
Base (sem intervenção)
R$ 13,97 mi
Moderado
R$ 12,06 mi
Otimista
R$ 9,47 mi
2026
Base (sem intervenção)
R$ 14,90 mi
Moderado
R$ 11,80 mi
Otimista
R$ 7,50 mi
Base (sem intervenção) Moderado Otimista
Fonte: análise Evodux
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Contexto 2025 a 2026
A janela de decisão

O horizonte de 2025 e 2026 reúne três forças simultâneas que definem a janela de decisão para hospitais nessa situação. O Índice de Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH/IESS) manteve variações de dois dígitos nas edições de 2024 a 2026. A glosa inicial gerencial dos hospitais ANAHP saltou de 11,89% para 15,89% em 2024, e a inadimplência das operadoras subiu de 49,96% para 61,53% no mesmo período (Observatório ANAHP 2025). Simultaneamente, o número de beneficiários de planos de saúde alcançou 53,3 milhões em janeiro de 2026 (ANS), com expansão contínua na região Sudeste. A combinação dessas forças cria um intervalo de dois a três anos em que a reversão de mix de receita ainda é viável sem reestruturação radical da estrutura de custos.

Leitura Evodux

A análise Evodux foi desenvolvida para apurar o custo da ociosidade por unidade e por mês, a partir dos dados que os próprios sistemas de gestão hospitalar já produzem. O mesmo cálculo é aplicável a qualquer hospital com perfil semelhante. A ANS documenta a escala do sistema suplementar. O Observatório ANAHP documenta o desempenho dos hospitais privados. Nenhuma dessas fontes responde à pergunta que importa para o gestor: quanto custa, especificamente, a ociosidade de cada unidade da sua instituição este mês.

Fontes: Observatório ANAHP 2025 · ANS Painel Econômico-Financeiro, fechamento 2025 · ANS Caderno de Informações, janeiro de 2026 · CMB, 2024 · Lei 14.820/2024 · Bittar, Revista de Administração em Saúde, v.24, n.97, 2024 · Moody's Local Brasil, janeiro de 2025 · VCMH/IESS · Análise Evodux

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