Evodux Intelligence · 2026
Como a transição demográfica reorganiza custos, mercados e modelos na saúde suplementar
Âmbito: mercado de saúde brasileiro · Horizonte: 2026 a 2036 · Base: Evodux Intelligence e operadoras parceiras
Em abril de 2026, o Brasil registra 35,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, correspondendo a 16,4% da população total. As projeções do IBGE indicam que esse contingente alcançará 45 milhões em 2036, quando um em cada cinco brasileiros terá 60 anos ou mais. A CEPAL e o IPEA confirmaram em 2025 que o país saiu da fase em que a população em idade ativa crescia proporcionalmente mais que os grupos dependentes. A taxa de fecundidade recuou para 1,57 filho por mulher em 2023, com projeção de 1,44 em 2041, e o crescimento populacional cessa em 2047.
Sobre o modelo tarifário da saúde suplementar, os efeitos são diretos. Beneficiários com 60 anos ou mais representam 19% da carteira das operadoras e concentram 55% da sinistralidade. O custo per capita dessa faixa é 5,4 vezes maior que o da faixa de 20 a 29 anos, diferencial que o modelo tarifário vigente, limitado pela ANS a seis vezes de variação entre faixas etárias, não absorve quando a carteira envelhece acima do perfil médio regulatório. A projeção Evodux consolida séries de sinistralidade de operadoras parceiras com dados de IBGE, ANS e OECD e situa o ponto de pressão crítica entre 2029 e 2031.
Crescimento da população 60+ no Brasil, 2026 a 2036
Milhões de pessoas · IBGE, Projeções de População, 2024
Fonte: IBGE, Projeções de População, 2024. Ponto crítico: projeção Evodux Intelligence, 2026.
Multimorbidade atinge 51,6% dos brasileiros com 60 anos ou mais. Entre beneficiários de planos de saúde, esse índice cresceu de 28,1% para 34,5% entre 2013 e 2019. O modelo fee-for-service, construído para tratar uma condição por episódio, não opera sobre múltiplas condições crônicas simultâneas sem geração de custo adicional não controlado. Essa incompatibilidade entre o modelo assistencial vigente e o perfil de demanda crescente descreve um espaço de mercado sem organização setorial. Fontes: PNS, IBGE, 2019; IESS, 2023.
Famílias com idosos em dependência parcial gastam entre R$ 3.000 e R$ 12.000 por mês em cuidado, sem desconto negociado, sem rede credenciada e sem dado que permita ao sistema rastrear o que está sendo consumido. R$ 93,3 bilhões por mês em renda de idosos brasileiros circulam fora de qualquer rede ou modelo setorial. Fontes: IBGE, PNAD Contínua, 2023; IPEA, 2023.
Seis segmentos crescem como consequência direta desse perfil de demanda: atenção domiciliar, diagnóstico contínuo, reabilitação, monitoramento remoto, coordenação assistencial e pay-per-use. Consolidando séries de ANS, ANEAD, IBGE e OECD, a projeção Evodux estima expansão total de R$ 180 bilhões em 2026 para R$ 420 bilhões em 2036, com os três segmentos nascentes crescendo entre 190% e 230% no período.
Expansão dos seis segmentos: 2026 versus projeção 2036 (R$ bilhões)
Fontes: ANS, 2025; ANEAD; IBGE, Projeções, 2024; OECD; Base Evodux. Elaboração Evodux Intelligence, 2026.
Parte do custo que o sistema suplementar não absorve percorre uma cadeia de transferência para outros atores. Entre os beneficiários de planos com mais de 60 anos, 28% utilizaram ao menos um serviço do SUS em 2023. A transferência implícita de custo do sistema suplementar para o público representa entre R$ 18 e R$ 24 bilhões por ano, equivalente a 8% a 11% do orçamento federal de saúde de R$ 254,9 bilhões aprovado para 2026. Fontes: IBGE, PNAD Saúde, 2023; DATASUS, 2024; LOA 2026.
Em mercados com trajetória demográfica semelhante, o intervalo entre o envelhecimento acelerado da carteira e a reorganização dos segmentos de cuidado foi de aproximadamente seis a oito anos. No Japão, os custos do sistema público de cuidado de longa duração cresceram de JPY 3,6 trilhões em 2000 para JPY 10,8 trilhões em 2020. Na Alemanha, após a criação do seguro público de cuidado de longa duração em 1994, o número de prestadores de home care e residências cresceu aproximadamente três vezes entre 1995 e 2013. Fontes: Commonwealth Fund, 2026; Nadash e Cuellar, Health Economics, 2017.
O gasto direto das famílias com saúde atingiu R$ 215 bilhões em 2024, equivalente a 84% do orçamento federal de saúde. Os 28% de beneficiários 60+ que recorreram ao SUS no mesmo período descrevem, por ângulo distinto, o mesmo dado: custo gerado dentro do sistema suplementar absorvido fora dele. Fontes: IBGE, POF, 2024; IBGE, PNAD Saúde, 2023.
Referências
ANS. Dados do setor: beneficiários e sinistralidade por faixa etária. Agência Nacional de Saúde Suplementar, 2025.
CEPAL; IPEA. Estrutura etária, bônus demográfico e população economicamente ativa no Brasil. Texto para Discussão Cepal/Ipea n. 10. Brasília, 2025.
COMMONWEALTH FUND. Japan: international health policy center. New York, 2026. Disponível em: commonwealthfund.org.
DATASUS. Sistema de Informações Hospitalares e Ambulatoriais. Ministério da Saúde, 2024.
IBGE. Projeções de População: Brasil e Unidades da Federação. Rio de Janeiro: IBGE, 2024.
IBGE. Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). Rio de Janeiro: IBGE, 2024.
IBGE. Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). Rio de Janeiro: IBGE, 2019.
IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Rio de Janeiro: IBGE, 2023.
IESS. Estudo de multimorbidade em beneficiários de planos de saúde. Instituto de Estudos de Saúde Suplementar, 2023.
IPEA. Renda e consumo de idosos no Brasil. Brasília: IPEA, 2023.
LOA 2026. Lei Orçamentária Anual. Brasília: Congresso Nacional, 2025.
NADASH, P.; CUELLAR, A. E. The emerging market for supplemental long-term care insurance in Germany in the context of the 2013 Pflege-Bahr reform. Health Economics, v. 26, n. 12, p. 1491-1505, 2017.
OECD. Health at a Glance 2023: OECD Indicators. Paris: OECD Publishing, 2023.
OAPS. Observatório de Análise Política em Saúde: gasto das famílias com saúde. 2024.
Publicação: Evodux Intelligence, 2026 · Âmbito: mercado de saúde brasileiro · Horizonte: 2026 a 2036
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