Evodux Research  ·  Saúde Suplementar
Cartões de benefícios: o maior mercado de acesso à saúde no Brasil

O estudo Cartões de Benefícios de Saúde no Brasil, da Evodux Research, mapeou 1.342 operações em censo nacional e revela um segmento que ultrapassou a saúde suplementar regulada em número de vínculos antes de construir rede, governança e retenção.

Agosto de 2026  |  Evodux Research  |  Censo nacional proprietário, N = 1.342 operações, janeiro a junho de 2026

O maior mercado de acesso privado à saúde no Brasil opera fora do regime jurídico dos planos de saúde. O estudo Cartões de Benefícios de Saúde no Brasil, conduzido pela Evodux Research entre janeiro e junho de 2026, identificou 1.342 operações com presença digital, associadas a uma base estimada de 60 milhões de clientes ou vínculos. A apuração combinou varredura digital de cobertura nacional e verificação individual por contato telefônico com cada operação localizada. No mesmo período, a saúde suplementar regulada somava 53,1 milhões de beneficiários, segundo a ANS.

A escala superou a do mercado regulado

Cartões de benefícios alcançam mais vínculos que o conjunto das operadoras fiscalizadas pela agência reguladora, sem oferecer cobertura assistencial garantida e sem submissão a rol obrigatório, rede contratualizada e reajuste regulado.

Escala comparada dos dois mercados de acesso privado Vínculos e clientes estimados, em milhões
Saúde suplementar regulada
53,1 mi
Cartões de benefícios
~60 mi
As bases contam vínculos, sem assegurar correspondência com indivíduos únicos Fontes: ANS, Sistema de Informações de Beneficiários, junho de 2026; Evodux Research, estudo Cartões de Benefícios de Saúde no Brasil, censo nacional proprietário, N = 1.342 operações, janeiro a junho de 2026. O número de operações constitui piso verificado, uma vez que operações sem presença digital permanecem fora do universo mapeado.

A lacuna de acesso formou o mercado

A cobertura da saúde suplementar alcança 25% da população, o que deixa aproximadamente 160 milhões de pessoas fora da assistência médica privada regulada. Entre 2010 e 2022, os beneficiários de planos cresceram 12% enquanto a população cresceu 6,5%, movimento que preservou a taxa de cobertura e ampliou, em termos absolutos, o contingente descoberto.

O preço explica a barreira. Pesquisa do IESS conduzida pelo Vox Populi em 2025 apurou que 53% dos não beneficiários apontam o valor da mensalidade como razão principal para não contratar um plano. A mensalidade média de R$ 29 identificada nos cartões posiciona o produto muito abaixo desse limiar, sem exigir vínculo empregatício formal, condição que alcança trabalhadores informais e autônomos.

A oferta é pulverizada e a demanda é concentrada

Entre as operações mapeadas, 83% possuem carteiras inferiores a 5 mil beneficiários, cerca de 1.114 cartões de alcance regional ou local, enquanto seis grandes operações concentram aproximadamente 78% dos vínculos estimados. A concentração territorial reforça o desequilíbrio: 72% das operações estão nas regiões Sul e Sudeste.

Pulverização na oferta, concentração na demanda Participação sobre o total de operações e sobre a base estimada de vínculos
83% das operações Menos de 5 mil beneficiários ~1.114 cartões 78% dos vínculos Concentrados em seis operações ~46,8 milhões de vínculos
Fonte: Evodux Research, estudo Cartões de Benefícios de Saúde no Brasil, censo nacional proprietário, N = 1.342 operações, janeiro a junho de 2026.

A economia da relação limita o próximo ciclo

A mensalidade acessível convive com permanência curta. O tempo médio de vínculo apurado foi de quatro meses, o que resulta em receita bruta potencial de R$ 116 por cliente na relação média, antes de custo de aquisição, atendimento, tecnologia e gestão de rede. A mesma barreira baixa que facilita a contratação facilita o cancelamento quando o beneficiário não percebe valor recorrente.

A equação econômica da relação média Mensalidade média multiplicada pela permanência média apurada
R$ 29mensalidade média
×
4 mesespermanência média
=
R$ 116receita bruta potencial
por cliente na relação média
Fonte: Evodux Research, estudo Cartões de Benefícios de Saúde no Brasil, janeiro a junho de 2026. A mensalidade média corresponde à média por operação, apurada por contato direto, sem ponderação pelo tamanho da carteira.

A regulação redefine o eixo competitivo

O segmento entrou no perímetro regulatório da ANS por determinação judicial. O Superior Tribunal de Justiça firmou que o oferecimento de rede credenciada ou referenciada basta para atrair a competência da agência, e o Edital de Chamamento Público ANS nº 4, publicado no Diário Oficial da União em 2 de junho de 2026, abriu a coleta de dados que subsidiará a norma.

As doze categorias solicitadas revelam o escopo provável da norma: composição societária, escopo do serviço, coberturas e exclusões, tipo de rede, prazos de atendimento, fator moderador, preço e carência. A exigência atinge diretamente as fragilidades mapeadas, entre elas o fato de que 53,1% das operações não possuem CNPJ próprio diretamente associado à marca comercializada.

“A regulação padroniza o produto e a rede, e deixa a coordenação do cuidado como o espaço competitivo que a norma não alcança.”

A oportunidade está na jornada de cuidado

Nenhuma das categorias solicitadas trata de continuidade assistencial, coordenação entre pontos de atendimento ou desfecho clínico. A conformidade tende a se converter em requisito de entrada, e a diferenciação migra para a arquitetura de jornada, dimensão que explica também a permanência curta: um produto organizado como desconto gera valor apenas no evento pontual, enquanto o acompanhamento contínuo cria recorrência independente do episódio agudo.

A vertical de terceira idade concentra a maior convergência entre demanda e retenção. A população com 60 anos ou mais passou de 11,3% em 2012 para 16,1% em 2024, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Frequência de utilização superior, cronicidade e necessidade de coordenação entre especialidades sustentam mensalidade recorrente sobre relação continuada.

Conclusão Evodux

O mercado brasileiro de cartões de benefícios ganhou escala antes de ganhar maturidade. A primeira fase competitiva recompensou a capacidade de vender acesso potencial. A próxima recompensará a capacidade de entregar acesso efetivo.

Os vencedores do próximo ciclo serão definidos pela capacidade de transformar escala comercial em acesso, acesso em experiência e experiência em permanência.

Evodux Intelligence
O estudo completo está disponível para as organizações membros da plataforma Evodux Intelligence

As 32 páginas de Cartões de Benefícios de Saúde no Brasil detalham o que a análise pública resume, com a base integral das 1.342 operações mapeadas e a leitura estratégica do mercado no momento em que a regulação está sendo desenhada.

  • Os doze achados que definem a estrutura do mercado
  • Cinco premissas datadas para o horizonte 2026 a 2029
  • Análise do Edital ANS nº 4 categoria por categoria
  • Cenários com a redistribuição projetada das 1.342 operações
  • Matriz Evodux de maturidade em cinco dimensões
  • Recomendações por perfil, com prioridade e custo da inação
  • A tese da jornada de cuidado e da vertical de terceira idade
  • Metodologia completa do censo nacional proprietário

Operadoras, hospitais, clínicas, cartões de benefícios e investidores que integram a plataforma acessam o estudo na íntegra e a série completa de publicações da Evodux Intelligence.

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