R$ 53 bilhões de receita incremental sobre infraestrutura já instalada e demanda já existente — a análise setorial mais completa do canal direto ao paciente no sistema privado de saúde brasileiro.
Lucro recorde, base estagnada — 63% do resultado veio da Selic, não da prestação de serviços de saúde
Exhibit 1 | Decomposição do resultado médico-hospitalar 2025 | ANS Painel Econômico-Financeiro | Fechamento 2025
O sistema suplementar registrou seu maior lucro nominal da história em 2025: R$ 24,4 bilhões. Mas 63% desse resultado vieram de aplicações financeiras — R$ 134,5 bilhões em carteira aplicada com Selic a 12,75% ao ano gerando R$ 14,7 bilhões. O sistema suplementar, no agregado, lucra mais com a Selic do que com a prestação de serviços de saúde.
A sinistralidade caiu para 81,7% em 2025, o menor índice desde 2020. O VCMH do IESS registrou 12,9% no mesmo período, enquanto o reajuste autorizado para planos individuais foi de 6,06%: a sinistralidade caiu por recomposição tarifária, não por redução do custo assistencial estrutural.
A distribuição do resultado revela a fragilidade estrutural. Três operadoras responderam por 49% do lucro líquido de 667 empresas. As autogestões foram o único segmento com prejuízo operacional: R$ 3,1 bilhões. 26,5% das entidades encerraram 2025 com resultado negativo. 7,5 milhões de beneficiários estavam em operadoras sob regimes especiais ao final do 3T25.
A cobertura permaneceu em 24,7% da população, com 53,3 milhões de beneficiários — percentual que oscila entre 23% e 25% há mais de uma década. Para os 147 milhões de brasileiros fora desse mercado, o canal de acesso à saúde privada é o pagamento direto ao prestador.
R$ 317 bilhões em 2024 — supera a saúde suplementar pela primeira vez
Exhibit 2 | Pay-per-use vs Saúde Suplementar 2024–2030 | Base ANAHP/HIS out/2025 | Projeção Evodux
O mercado pay-per-use movimentou R$ 317 bilhões em 2024, superando pela primeira vez os R$ 309 bilhões da saúde suplementar no mesmo período. A inversão não é um evento pontual: o canal direto cresce 14% ao ano. O sistema suplementar cresce 6,5%. Em 2030, a diferença acumulada entre as duas trajetórias alcança R$ 174 bilhões.
O que mudou nas últimas duas décadas não foi a existência do canal direto, mas a velocidade com que ele se organiza. Franquias de saúde cresceram 14,6% em 2025 e movimentaram R$ 74,3 bilhões (ABF). Os cartões de benefícios avançaram de 4 milhões de usuários em 2014 para 60 milhões em 2024, CAGR de 31% ao ano — base que já supera numericamente o total de beneficiários de planos de saúde.
Envelhecimento, epidemia crônica e informalidade — nenhum depende de ciclo econômico
IBGE Revisão 2024 · Vigitel 2025 · World Obesity Federation 2025 · ANS jan/2026
Exhibit 3A | Três vetores estruturais | IBGE Revisão 2024 · Vigitel 2025 · ANS jan/2026
Três forças independentes alimentam o crescimento do canal direto e nenhuma delas pode ser revertida por decisão de política econômica ou regulatória. Em 2030, o Brasil terá 42 milhões de idosos, 18,6% da população, ante 33 milhões em 2023. A maioria desse contingente não tem e não terá cobertura suplementar.
A epidemia de doenças crônicas não transmissíveis cria demanda permanente por acompanhamento longitudinal. A obesidade em adultos cresceu 118% entre 2006 e 2024; o diabetes cresceu 135%. Essas condições não têm cura. Um diagnóstico de diabetes representa um paciente de alta frequência por 20 a 30 anos.
A informalidade estrutural é o terceiro vetor. O Brasil tinha 38,6 milhões de trabalhadores informais no 4T25. Somam-se os autônomos, os MEIs e os aposentados sem plano empresarial ativo. São mais de 100 milhões de pessoas em idade ativa sem acesso ao produto que representa 73% do mercado suplementar.
75% da população — consumidores ativos de saúde sem cobertura suplementar
Exhibit 4 | Capacidade de pagamento por classe e zona de acessibilidade | FGV Social (jan/2026) · PNAD 2024 · Evodux
O paciente das classes C, D e E não é um consumidor de saúde passivo. É um consumidor ativo que já gasta com saúde privada e que já demonstrou disposição de organizar esse gasto quando existe produto acessível e acesso ágil.
A Classe C, com renda domiciliar per capita entre R$ 768 e R$ 2.004, acessa serviços ambulatoriais quando o preço é transparente e cabe no orçamento mensal. A Classe D acessa saúde privada via mensalidade de cartão de benefícios de R$ 25 a R$ 40, com desconto de 50% a 80% sobre o preço particular.
A restrição central desse mercado não é a renda. É a ausência de crédito estruturado. O cartão de benefícios de saúde resolve o problema de forma elegante: de 4 milhões de usuários em 2014 para 60 milhões em 2024, CAGR de 31% ao ano. Usuários de cartões utilizam os serviços 2,5 vezes ao ano em média, contra uma vez para usuários ocasionais sem vínculo organizado.
200 mil estabelecimentos prontos para atender — sem produto para o paciente direto
Exhibit 5 | Receita por procedimento: canal direto vs operadora | FenaSaúde mar/2026 · ANAHP Observatório 2024 · BCB 2025 · Evodux
O ecossistema prestador privado brasileiro tem mais de 200 mil estabelecimentos e infraestrutura instalada para atender o mercado pay-per-use. Não o atende porque nunca precisou. Por trinta anos, a operadora foi o cliente, não o paciente. 79% da receita dos maiores hospitais privados e 86% do faturamento das maiores empresas de diagnóstico ainda vêm exclusivamente das operadoras.
A receita por procedimento no canal direto é 2,6 vezes maior que o repasse efetivo via operadora — que chega em 150 dias, retendo 15,89% em glosa e acumulando custo de capital ao CDI de 12,75%. A barreira central não é técnica nem financeira. É informacional: o prestador que opera há trinta anos dentro do sistema suplementar nunca precisou saber quanto custa o episódio de saúde que entrega.
De 14% para 46% das operações de M&A verticais — e o custo que fica no prestador independente
Exhibit 6A | Verticalização M&A e mecanismo de encaminhamento exclusivo | CADE 2022 · Moody's Local Brasil jan/2025
A ociosidade da infraestrutura privada de saúde no Brasil não é um problema de gestão. É a consequência contábil de uma decisão estratégica das operadoras: ao construir ou adquirir rede própria, a operadora redireciona seus beneficiários para dentro dessa estrutura, e o prestador independente perde o fluxo sem ter tomado nenhuma decisão operacional que o justifique.
| Ativo ambulatorial | Custo ocioso | Via operadora | Canal direto | Múltiplo | Ociosidade |
|---|---|---|---|---|---|
| Ressonância magnética | R$ 350/h | R$ 410 | R$ 690 | 1,7× | 28% |
| Tomógrafo computadorizado | R$ 302/h | R$ 190 | R$ 320 | 1,7× | 45% |
| Ultrassonografia | R$ 85/h | R$ 48 | R$ 95 | 2,0× | 44% |
| Consultório de especialidade | R$ 120/h | R$ 64 | R$ 175 | 2,7× | 40% |
Exhibit 6B | Ociosidade por ativo ambulatorial privado | CNES/CBR Atlas Radiologia 2025 · FenaSaúde mar/2026 · Evodux
A equação 2,6× verifica a viabilidade — produto, precificação e recorrência constroem o canal
Exhibit 7 | Equação financeira do canal direto | ANAHP Observatório 2024 · BCB 2025 · Vigitel 2025
A equação financeira do canal direto estabelece que o mesmo procedimento gera 2,6 vezes mais receita líquida quando pago diretamente pelo paciente do que quando repassado via operadora. Esse dado verifica a viabilidade. A oportunidade existe quando três condições estão presentes: produto para frequência crônica, preço calculado sobre o custo real e canal que transforma o pagador direto em usuário recorrente.
O produto eficaz no canal direto não é a consulta avulsa. É a jornada de acompanhamento de uma condição crônica com frequência programada, exames incluídos e retorno estruturado. O prestador que vende consulta avulsa participa do canal direto. O prestador que vende jornada de acompanhamento crônico com preço transparente e canal de recorrência constrói o canal direto.
60 milhões de usuários, CAGR 31% ao ano, formalização regulatória em curso
Exhibit 8 | Cartões de benefícios · crescimento, lógica econômica e timeline regulatória | ANS · STJ nov/2025 · ABF 2025
O canal de distribuição que conecta o prestador independente ao paciente das classes C e D já existe, já opera com 60 milhões de usuários e cresce 31% ao ano há uma década. Agora o canal vai se formalizar: o STJ confirmou a competência da ANS em novembro de 2025, e o processo segue ao STF.
Mercados que se formalizam concentram em torno de operadores com produto estruturado e capital para atender requisitos regulatórios antes que entrem em vigor. A janela de posicionamento existe hoje. Ela tem prazo determinado pela velocidade do processo regulatório.
Bottom-up por segmento — premissas declaradas, sobre infraestrutura já instalada
Exhibit 9 | Oportunidade incremental R$ 53 bi por segmento | Estimativa Evodux · ANAHP 2024 · Doctoralia 2025 · FenaSaúde mar/2026
O maior volume por número de estabelecimentos está no segmento ambulatorial. As 71.500 clínicas e consultórios que têm convênio como canal dominante representam R$ 6,0 bilhões de receita incremental anual, calculados sobre taxa de conversão conservadora de 15% e ticket incremental de R$ 111 por consulta. Laboratórios somam R$ 5,4 bilhões. Serviços de imagem, R$ 1,9 bilhão. O segmento ambulatorial e de diagnóstico soma R$ 13,3 bilhões sem nenhum investimento em equipamento ou área construída.
Hospitais de pequeno e médio porte representam a maior parcela em valor absoluto: R$ 39,7 bilhões anuais, calculados sobre 2.730 estabelecimentos com ociosidade estrutural entre 35% e 48%. Para cada um desses hospitais, elevar a ocupação de 52% para 72% gera R$ 14,4 milhões por ano sem novo investimento em infraestrutura ou equipe.
O que cada segmento precisa construir — e por que o prazo é os próximos 12 a 18 meses
Exhibit 10 | Implicações por segmento e timing de posicionamento | ANAHP 2024 · ABF 2025 · ANS 2025 · Vigitel 2025 · Evodux
A implicação transversal a todos os segmentos é de timing. O prestador que estruturar o produto, mapear o custo e credenciar-se nos canais de cartões nos próximos doze a dezoito meses estará posicionado antes que a formalização regulatória estabeleça os requisitos de capital e rede que concentrarão o mercado em torno de operadores estruturados.
ANS. Painel Econômico-Financeiro — Fechamento 2025. Rio de Janeiro: ANS, mar/2026.
ANS. Beneficiários de planos privados de saúde — jan/2026. Rio de Janeiro: ANS, 2026.
ANAHP. Observatório ANAHP 2024. São Paulo: ANAHP, 2024.
ANAHP. Webinar resultados ANS 2025 — 20/mar/2026.
ABF. Desempenho do Franchising Brasileiro 2025. São Paulo: ABF, 2025.
IBGE. Projeções da População: Revisão 2024. Rio de Janeiro: IBGE, 2024.
IBGE. PNAD Contínua — 4T25. Rio de Janeiro: IBGE, 2025.
IESS. Projeção de despesas assistenciais 2030. São Paulo: IESS, 2024.
Vigitel Brasil 2025. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas. Brasília: MS, 2025.
World Obesity Federation. Atlas Mundial da Obesidade 2025. Londres: WOF, 2025.
FGV Social (Marcelo Neri). Distribuição de renda por classes — jan/2026. Rio de Janeiro: FGV, 2026.
FenaSaúde. Webinar resultados do setor — mar/2026.
CADE. Análise de Atos de Concentração no Setor de Saúde 2012–2022. Brasília: CADE, 2022.
Moody's Local Brasil. Setor de Saúde no Brasil — jan/2025.
CNES/CBR. Atlas da Radiologia 2025. Brasília: CNES, 2025.
Doctoralia. Panorama Clínicas e Hospitais 2025. São Paulo: Doctoralia, 2025.
STJ. AgInt no AREsp 2.183.704-SP — Segunda Turma — nov/2025.
Banco Central do Brasil. Taxa CDI acumulada — 2025. Brasília: BCB, 2025.
Evodux Health Intelligence. Base proprietária de protocolos e clientes. 20.000 protocolos precificados. 2022–2026.
O mercado pay-per-use no Brasil é maior e mais estruturado do que os dados públicos conseguem revelar sozinhos. A ANS documenta a escala. O IBGE documenta a demografia. O ANAHP documenta a dependência dos prestadores. Nenhuma dessas fontes responde à pergunta que importa para quem opera nesse mercado: quanto custa, especificamente, o episódio que cada estabelecimento entrega.
A Evodux construiu a resposta para esse número em 20.000 protocolos precificados sobre o custo real do episódio, em estabelecimentos de todos os segmentos e portes. É essa base que torna o R$ 53 bilhões um número acionável, não uma estimativa setorial, mas o resultado de um cálculo que cada prestador pode reproduzir com os dados do próprio estabelecimento. O gap não está no mercado. Não está na infraestrutura. Está no intervalo entre o dado setorial e a decisão de precificação de cada estabelecimento. É exatamente nesse intervalo que a Evodux opera.
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Evodux Intelligence · Abril 2026
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