Estudo Proprietário  |  2026

O setor de saúde suplementar encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 23,4 bilhões e sinistralidade de 81,7%. No mesmo período, a análise Evodux de 133.832 guias de quimioterapia ambulatorial registrou crescimento de 74% no custo total em 12 meses, com 19.244 pacientes ativos em tratamento.

Este é o maior conjunto de dados primários sobre custos de quimioterapia ambulatorial analisado e publicado no Brasil. Todos os dados identificadores foram suprimidos.

Sumário Executivo — Quatro achados da análise Evodux de 133.832 guias de quimioterapia ambulatorial
01
O custo com quimioterapia ambulatorial cresceu 74% em 12 meses. Em 2022, o custo global foi de R$ 1,83 bilhão. A projeção para 12 meses de 2023 era de R$ 3,18 bilhões. O número de pacientes ativos era de 19.244. O ticket médio por sessão subiu de R$ 10.215 para R$ 13.663.
02
Três vetores explicam esse crescimento, e nenhum deles é transitório. Carteiras envelhecem de forma estrutural. Imunobiológicos chegam com custos sem precedente histórico via rol obrigatório. E o custo do tratamento oncológico por indicação, do diagnóstico ao fim do ciclo, ainda não é um indicador monitorado pelo setor.
03
95% do custo é medicamento. Honorários médicos: 0,1%. Cooperativas que controlam diretamente o medicamento operam com ticket de R$ 4.950 por sessão. Operadoras não-verticalizadas de grande porte: R$ 13.663. A diferença é de 2,76 vezes.
04
O saving de R$ 328 milhões anuais é capturável em 12 meses. Quatro alavancas sequenciais: padronização de tabelas, recontração dos 15 prestadores da curva A, pagamento por miligrama e protocolo de biossimilares. Nenhuma envolve redução de cobertura.
01 · Por que desta vez é diferente

Em 12 meses, o custo quase dobrou. O volume de pacientes não acompanhou.

A análise Evodux registrou custo global de R$ 1,83 bilhão em 2022 e projeção de R$ 3,18 bilhões para 12 meses de 2023, com 19.244 pacientes ativos em tratamento. O ticket médio por sessão subiu de R$ 10.215 para R$ 13.663 no mesmo período.
Custo Global 2022
R$ 1,83 bi
custo total registrado
Projeção 2023
R$ 3,18 bi
crescimento de 74%
Pacientes Ativos
19.244
em tratamento
0 R$ 1 bi R$ 2 bi R$ 3 bi R$ 1,83 bi 2022 R$ 3,18 bi Projeção 2023 +74% Ticket médio 2022 R$ 10.215/sessão Ticket médio 2023 R$ 13.663/sessão Evodux | 133.832 guias de quimioterapia ambulatorial | 2022–2023

Exhibit 1 | Evolução do custo total e do ticket médio por sessão de quimioterapia ambulatorial | Análise Evodux | 133.832 guias | 2022–2023

O custo médio mensal com prestadores de oncologia atingia R$ 270 milhões em 2023. O prazo médio de pagamento aos prestadores era de seis meses, com cauda de 12 meses, gerando passivo de R$ 1,3 bilhão em contas a pagar até dezembro de 2023.

Três vetores distinguem este ciclo dos anteriores. O primeiro é demográfico. O segundo é farmacológico. O terceiro é operacional: o custo do tratamento oncológico por indicação, do diagnóstico ao fim do ciclo, ainda não é um indicador monitorado na saúde suplementar brasileira com a mesma sistemática com que o SUS monitora o seu, como demonstra o Observatório de Oncologia em seu estudo de 2025.

57,3% das guias de quimioterapia ambulatorial foram pagas acima do valor contratado em tabela própria. 32,3% foram pagas no valor exato. 10,4%, abaixo. A operadora conta com aproximadamente 10.000 itens cadastrados com padronizações distintas entre prestadores ambulatoriais e hospitalares.

Contexto Regulatório 2025
Em 2025, a ANS criou o OncoRede, Manual de Certificação de Boas Práticas em Atenção Oncológica. No mesmo ano, incorporou 25 novos itens ao rol de cobertura obrigatória, parte deles oncológicos. O IESS registra cerca de 6.000 ensaios clínicos em andamento com medicamentos oncológicos de alto custo.
02 · O Vetor Demográfico

Despesa com medicamentos cresceu 59% no setor entre 2019 e 2024. Nas autogestões, o per capita mais que dobrou.

As despesas com medicamentos nos planos de saúde somaram mais de R$ 20 bilhões em 2024, contra R$ 12,8 bilhões em 2019, crescimento de 59% em cinco anos, segundo o IESS. A participação dos medicamentos nos custos assistenciais totais passou de 7,3% para 10,2%.
2019 2024 R$ 0 R$ 250 R$ 500 R$ 750 R$ 1.000+ R$ 593 R$ 1.276 Autogestões R$ 98 R$ 194 Med. grupo vert. R$ 367 mi R$ 601 mi Seguradoras (onco) custo total, não per capita Fonte: IESS 2024 | Panorama das Despesas com Medicamentos na Saúde Suplementar Brasileira

Exhibit 2 | Evolução da despesa per capita anual com medicamentos por segmento de operadora | IESS 2024

A despesa per capita anual com medicamentos nas autogestões passou de R$ 593 em 2019 para R$ 1.276 em 2024. Nas medicinas de grupo verticalizadas, o mesmo indicador passou de R$ 98 para R$ 194. Nas seguradoras especializadas, as despesas oncológicas com medicamentos subiram de R$ 367 milhões em 2019 para R$ 601 milhões em 2024.

Os planos individuais representam 16,8% dos beneficiários em 2024 e respondem por 28% de todas as despesas com medicamentos do setor. A participação de beneficiários com 59 anos ou mais nesse segmento chegou a 31,6%, segundo o IESS. As taxas de incidência dos tumores sólidos mais prevalentes são quatro a seis vezes maiores em pessoas acima de 60 anos do que abaixo de 40, segundo o INCA.

Per capita medicamentos — Autogestões (2024)
R$ 1.276
vs. R$ 593 em 2019 (+115%)
Beneficiários 59+ anos — Planos individuais
31,6%
participação crescente
Projeção IESS
O IESS projeta que os custos assistenciais da saúde suplementar devem quase quadruplicar nas próximas décadas, impulsionados pelo envelhecimento da carteira e pela incorporação tecnológica.
03 · O Vetor Farmacológico

Imunobiológicos cresceram 30 vezes em uma década. Duas moléculas respondem por 17% do custo total de quimioterapia.

O uso de terapias imunobiológicas nos planos cresceu mais de 30 vezes entre 2015 e 2025, segundo o IESS TD119. A quimioterapia convencional cresceu 1,5 vez no mesmo período.
Imunobiológicos Quimioterapia convencional ~8× ~16× ~24× 30× 30× Imunobiológicos 2015–2025 1,5× Quimioterapia conv. 2015–2025 PEMBROLIZUMABE ~11% do custo total NIVOLUMABE ~6% do custo total Fonte: IESS TD119 | Expansão das terapias imunobiológicas nos planos de saúde | 2025

Exhibit 3 | Crescimento comparativo: terapias imunobiológicas vs. quimioterapia convencional | IESS TD119 | 2015–2025

Na análise Evodux, o pembrolizumabe correspondeu a aproximadamente R$ 198 milhões, cerca de 11% do custo total de quimioterapia ambulatorial. O nivolumabe correspondeu a aproximadamente R$ 102 milhões, cerca de 6%. As duas moléculas somam 17% do custo total. Nenhuma tem biossimilar aprovado pela ANVISA.

Do total de itens faturados, 46,9% são drogas de referência, 29,1% genéricos e 24% biossimilares. Aproximadamente 40% das drogas de referência faturadas possuem substitutos aprovados pela ANVISA com custo entre 70% e 80% menor por unidade. As drogas imunobiológicas foram faturadas, em média, 30% acima do valor de nota fiscal, segundo a análise Evodux.

Em 2025, a ANS incorporou 25 novos itens ao rol de cobertura obrigatória. O IESS registra cerca de 6.000 ensaios clínicos em andamento com medicamentos oncológicos de alto custo. Cada nova incorporação gera impacto imediato, obrigatório e recorrente sobre as despesas assistenciais.

Reajuste e Incorporação
O ciclo de incorporação de novas tecnologias ao rol da ANS, iniciado em 2022 com a lei que reduziu o prazo de análise para 180 dias, ampliou o ritmo de entrada de medicamentos de alto custo nas carteiras. Em 2025, foram incorporados 25 novos itens.
04 · O Vetor Operacional

57,3% das guias foram pagas acima do contratado. O custo do tratamento por indicação não é monitorado como indicador.

A análise Evodux identificou que 57,3% das guias de quimioterapia ambulatorial foram pagas acima do valor contratado em tabela própria. 32,3% foram pagas no valor exato. 10,4%, abaixo.

O custo global com quimioterapia ambulatorial na base analisada foi de R$ 1,83 bilhão em 2022. Com sete meses realizados de 2023, o valor acumulado já alcançava R$ 1,82 bilhão. A projeção para 12 meses de 2023 era de R$ 3,18 bilhões. O custo médio mensal com prestadores atingia R$ 270 milhões.

R$ 0 R$ 5k R$ 10k R$ 15k R$ 4.950 Cooperativas verticalizadas R$ 6.801 Med. grupo verticalizadas R$ 13.663 Base Evodux não verticalizada 2,76× maior Evodux | Análise de faturamento oncológico ambulatorial | 2023

Exhibit 4 | Ticket médio por sessão por modelo de verticalização | Análise Evodux | 2023

Cooperativas verticalizadas operam com ticket médio de R$ 4.950 por sessão. Medicinas de grupo verticalizadas: R$ 6.801. A base Evodux registrou ticket de R$ 13.663 em 2023, 2,76 vezes o ticket da cooperativa verticalizada. Nesses modelos, a operadora adquire o medicamento diretamente e define o protocolo por indicação. O custo do tratamento é apurável por esse caminho.

Composição dos custos

Noventa e cinco por cento dos custos de quimioterapia ambulatorial são medicamentos. Honorários médicos: 0,1%. Drogas endovenosas representam 65% dos custos, orais 19% e subcutâneas 11%. Das drogas faturadas, 64% são precificadas por frasco e 36% por miligrama.

Medicamentos no custo total
95%
honorários médicos: 0,1%
Guias pagas acima do contratado
57,3%
32,3% no valor exato
Diferença ticket (cooperativa vs. base)
2,76×
R$ 4.950 vs. R$ 13.663/sessão
COMPOSIÇÃO por via EV (endovenosas) 65% Orais 19% Subcutâneas 11% Outros 5% 95% do custo total = medicamentos Honorários médicos: 0,1% Evodux | Análise de faturamento oncológico ambulatorial

Exhibit 5 | Composição dos custos de quimioterapia ambulatorial por via de administração | Análise Evodux

TIPO DE precificação Por frasco 64% Menor controle por dose administrada Por miligrama 36% Maior rastreabilidade e controle de custo Migração para pagamento por mg = Alavanca 2 Evodux | Análise de faturamento oncológico ambulatorial

Exhibit 6 | Composição dos custos por tipo de precificação (frasco vs. miligrama) | Análise Evodux

Concentração Geográfica

São Paulo concentra 43% do custo total com ticket médio de R$ 16.709 por sessão. No RJ, R$ 11.010. O per capita mensal dos beneficiários nos dois estados gira em torno de R$ 46. Em SP, cinco prestadores respondem por 50% dos custos oncológicos entre os mais de 70 habilitados no estado. O DF apresenta per capita mensal de R$ 113.

Principais moléculas por custo e alternativas disponíveis

Medicamento Classe Via % custo Preço/frasco (2025) Alternativa ANVISA Fonte
Pembrolizumabe Imunobiológico anti-PD-1 EV ~11% R$ 13.118 (100mg) Sem biossimilar PMVG CMED 2025
Nivolumabe Imunobiológico anti-PD-1 EV ~6% R$ 8.777–12.495 (100mg) Sem biossimilar Farmácias nov/2025
Bevacizumabe Anticorpo monoclonal anti-VEGF EV ~4% R$ 2.162–2.917 (100mg) Biossimilar disp. Farmácias set/2025
Trastuzumabe Anticorpo monoclonal HER2 EV/SC ~4% R$ 2.340–13.991 (440mg) Biossimilar disp. Farmácias out/2025
Daratumumabe Anticorpo monoclonal anti-CD38 EV/SC ~3% Sob negociação contratual Sem biossimilar CMED 2025
Lenalidomida Imunomodulador Oral ~2% Genérico disponível Genérico disp. ANVISA 2025
Oxaliplatina Platina citotóxico EV ~1,5% Genérico disponível Genérico disp. ANVISA 2025
Paclitaxel Taxano EV ~1,2% Genérico disponível Genérico disp. ANVISA 2025
05 · Alavancas de Redução de Custo

Quatro alavancas. 15 prestadores. R$ 328 milhões de saving anual. Horizonte de 12 meses.

O saving de R$ 328 milhões representa 15% do custo projetado de R$ 2,10 bilhões. O custo médio mensal de referência é de R$ 175 milhões. As quatro alavancas operam sequencialmente, com efeito cumulativo ao longo dos primeiros sete meses.
Alavanca 1

Padronização das Tabelas Próprias

A base Evodux identificou aproximadamente 10.000 itens cadastrados com padronizações distintas entre prestadores. A unificação com nomenclatura padronizada e preços-referência vinculados ao CMED cria a base para automatização da auditoria de faturamento e permite identificar automaticamente os 57,3% de guias pagas acima do contratado.

Alavanca 2

Recontração dos 15 Prestadores da Curva A

Quinze prestadores respondem por 80% dos custos oncológicos em SP, RJ, DF, BA e PE. A recontração inclui teto de mark-up por classe terapêutica, vinculação ao preço de nota fiscal para drogas acima de determinado valor unitário e migração para pagamento por miligrama. O total de prestadores habilitados para oncologia no Brasil é de 2.817.

Alavanca 3

Protocolo de Substituição por Biossimilares

Aproximadamente 40% das drogas de referência faturadas possuem substitutos aprovados pela ANVISA com custo entre 70% e 80% menor por unidade. O protocolo define os critérios de elegibilidade clínica para substituição e cria a base para auditoria do cumprimento.

Alavanca 4

Dispensação Direta de Drogas Orais e Subcutâneas

Drogas orais e subcutâneas representam 30% dos custos de quimioterapia ambulatorial e não exigem infraestrutura hospitalar. A aquisição direta pela operadora e a dispensação por canal próprio ou parceiro permite controle sobre a molécula, a dose e o custo por indicação nesse subgrupo.

Saving acumulado (R$ milhões) Saving mensal (R$ milhões) R$ 0 R$ 80mi R$ 160mi R$ 240mi R$ 320mi A1 A2 A3 A4 Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Mês 5 Mês 6 Mês 7 SAVING TOTAL R$ 328 mi Evodux | Projeção de saving por implementação sequencial das 4 alavancas | Horizonte 7 meses

Exhibit 7 | Curva de saving acumulado por implementação sequencial das quatro alavancas | Horizonte de 7 meses | Análise Evodux

A projeção considera implementação sequencial ao longo de sete meses. No sétimo mês, o saving mensal estimado é de R$ 40 milhões, equivalente a 23% do custo mensal de referência.

Escopo desta Análise
Este estudo cobre exclusivamente quimioterapia ambulatorial. Não estão incluídos custos com quimioterapia em pacientes internados, TMO, CAR-T, oncopediatria, diagnóstico, cirurgias, medicina paliativa e internações por complicações do tratamento.
Conclusão

Os três vetores analisados neste estudo não estiveram presentes simultaneamente em nenhum ciclo anterior de alta de custo oncológico na saúde suplementar brasileira.

A análise Evodux de 133.832 guias registrou crescimento de 74% no custo total em 12 meses, com 19.244 pacientes ativos em tratamento. O ticket médio por sessão passou de R$ 10.215 para R$ 13.663. O custo com medicamentos no setor superou R$ 20 bilhões em 2024, contra R$ 12,8 bilhões em 2019.

Cooperativas que controlam diretamente o medicamento oncológico operam com ticket médio de R$ 4.950 por sessão. A diferença em relação ao ticket registrado na análise Evodux é de 2,76 vezes.

O Observatório de Oncologia publicou em 2025 o estudo "Quanto custa tratar um paciente com câncer no SUS?". A análise Evodux de 133.832 guias é o primeiro passo para responder a mesma pergunta na saúde suplementar brasileira. A resposta requer dado.
Referências

1. Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Panorama das Despesas com Medicamentos na Saúde Suplementar Brasileira. São Paulo: IESS, 2024.

2. Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). TD 119: Expansão das terapias imunobiológicas nos planos de saúde. São Paulo: IESS, 2025.

3. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Dados Econômico-Financeiros de 2025. Rio de Janeiro: ANS, 2026.

4. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Retrospectiva 2025. Rio de Janeiro: ANS, 2025.

5. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2023–2025. Rio de Janeiro: INCA, 2023.

6. Observatório de Oncologia. Quanto custa tratar um paciente com câncer no SUS. São Paulo, 2025.

7. Chen S. et al. Estimates and Projections of the Global Economic Cost of 29 Cancers. JAMA Oncology, v. 9, n. 5, 2023.

8. Evodux Health Intelligence. Análise primária de faturamento oncológico ambulatorial. Base anonimizada, 133.832 guias, 2022–2025.

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