O setor de saúde suplementar encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 23,4 bilhões e sinistralidade de 81,7%. No mesmo período, a análise Evodux de 133.832 guias de quimioterapia ambulatorial registrou crescimento de 74% no custo total em 12 meses, com 19.244 pacientes ativos em tratamento.
Este é o maior conjunto de dados primários sobre custos de quimioterapia ambulatorial analisado e publicado no Brasil. Todos os dados identificadores foram suprimidos.
Em 12 meses, o custo quase dobrou. O volume de pacientes não acompanhou.
Exhibit 1 | Evolução do custo total e do ticket médio por sessão de quimioterapia ambulatorial | Análise Evodux | 133.832 guias | 2022–2023
O custo médio mensal com prestadores de oncologia atingia R$ 270 milhões em 2023. O prazo médio de pagamento aos prestadores era de seis meses, com cauda de 12 meses, gerando passivo de R$ 1,3 bilhão em contas a pagar até dezembro de 2023.
Três vetores distinguem este ciclo dos anteriores. O primeiro é demográfico. O segundo é farmacológico. O terceiro é operacional: o custo do tratamento oncológico por indicação, do diagnóstico ao fim do ciclo, ainda não é um indicador monitorado na saúde suplementar brasileira com a mesma sistemática com que o SUS monitora o seu, como demonstra o Observatório de Oncologia em seu estudo de 2025.
57,3% das guias de quimioterapia ambulatorial foram pagas acima do valor contratado em tabela própria. 32,3% foram pagas no valor exato. 10,4%, abaixo. A operadora conta com aproximadamente 10.000 itens cadastrados com padronizações distintas entre prestadores ambulatoriais e hospitalares.
Despesa com medicamentos cresceu 59% no setor entre 2019 e 2024. Nas autogestões, o per capita mais que dobrou.
Exhibit 2 | Evolução da despesa per capita anual com medicamentos por segmento de operadora | IESS 2024
A despesa per capita anual com medicamentos nas autogestões passou de R$ 593 em 2019 para R$ 1.276 em 2024. Nas medicinas de grupo verticalizadas, o mesmo indicador passou de R$ 98 para R$ 194. Nas seguradoras especializadas, as despesas oncológicas com medicamentos subiram de R$ 367 milhões em 2019 para R$ 601 milhões em 2024.
Os planos individuais representam 16,8% dos beneficiários em 2024 e respondem por 28% de todas as despesas com medicamentos do setor. A participação de beneficiários com 59 anos ou mais nesse segmento chegou a 31,6%, segundo o IESS. As taxas de incidência dos tumores sólidos mais prevalentes são quatro a seis vezes maiores em pessoas acima de 60 anos do que abaixo de 40, segundo o INCA.
Imunobiológicos cresceram 30 vezes em uma década. Duas moléculas respondem por 17% do custo total de quimioterapia.
Exhibit 3 | Crescimento comparativo: terapias imunobiológicas vs. quimioterapia convencional | IESS TD119 | 2015–2025
Na análise Evodux, o pembrolizumabe correspondeu a aproximadamente R$ 198 milhões, cerca de 11% do custo total de quimioterapia ambulatorial. O nivolumabe correspondeu a aproximadamente R$ 102 milhões, cerca de 6%. As duas moléculas somam 17% do custo total. Nenhuma tem biossimilar aprovado pela ANVISA.
Do total de itens faturados, 46,9% são drogas de referência, 29,1% genéricos e 24% biossimilares. Aproximadamente 40% das drogas de referência faturadas possuem substitutos aprovados pela ANVISA com custo entre 70% e 80% menor por unidade. As drogas imunobiológicas foram faturadas, em média, 30% acima do valor de nota fiscal, segundo a análise Evodux.
Em 2025, a ANS incorporou 25 novos itens ao rol de cobertura obrigatória. O IESS registra cerca de 6.000 ensaios clínicos em andamento com medicamentos oncológicos de alto custo. Cada nova incorporação gera impacto imediato, obrigatório e recorrente sobre as despesas assistenciais.
57,3% das guias foram pagas acima do contratado. O custo do tratamento por indicação não é monitorado como indicador.
O custo global com quimioterapia ambulatorial na base analisada foi de R$ 1,83 bilhão em 2022. Com sete meses realizados de 2023, o valor acumulado já alcançava R$ 1,82 bilhão. A projeção para 12 meses de 2023 era de R$ 3,18 bilhões. O custo médio mensal com prestadores atingia R$ 270 milhões.
Exhibit 4 | Ticket médio por sessão por modelo de verticalização | Análise Evodux | 2023
Cooperativas verticalizadas operam com ticket médio de R$ 4.950 por sessão. Medicinas de grupo verticalizadas: R$ 6.801. A base Evodux registrou ticket de R$ 13.663 em 2023, 2,76 vezes o ticket da cooperativa verticalizada. Nesses modelos, a operadora adquire o medicamento diretamente e define o protocolo por indicação. O custo do tratamento é apurável por esse caminho.
Composição dos custos
Noventa e cinco por cento dos custos de quimioterapia ambulatorial são medicamentos. Honorários médicos: 0,1%. Drogas endovenosas representam 65% dos custos, orais 19% e subcutâneas 11%. Das drogas faturadas, 64% são precificadas por frasco e 36% por miligrama.
Exhibit 5 | Composição dos custos de quimioterapia ambulatorial por via de administração | Análise Evodux
Exhibit 6 | Composição dos custos por tipo de precificação (frasco vs. miligrama) | Análise Evodux
Concentração Geográfica
São Paulo concentra 43% do custo total com ticket médio de R$ 16.709 por sessão. No RJ, R$ 11.010. O per capita mensal dos beneficiários nos dois estados gira em torno de R$ 46. Em SP, cinco prestadores respondem por 50% dos custos oncológicos entre os mais de 70 habilitados no estado. O DF apresenta per capita mensal de R$ 113.
Principais moléculas por custo e alternativas disponíveis
| Medicamento | Classe | Via | % custo | Preço/frasco (2025) | Alternativa ANVISA | Fonte |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Pembrolizumabe | Imunobiológico anti-PD-1 | EV | ~11% | R$ 13.118 (100mg) | Sem biossimilar | PMVG CMED 2025 |
| Nivolumabe | Imunobiológico anti-PD-1 | EV | ~6% | R$ 8.777–12.495 (100mg) | Sem biossimilar | Farmácias nov/2025 |
| Bevacizumabe | Anticorpo monoclonal anti-VEGF | EV | ~4% | R$ 2.162–2.917 (100mg) | Biossimilar disp. | Farmácias set/2025 |
| Trastuzumabe | Anticorpo monoclonal HER2 | EV/SC | ~4% | R$ 2.340–13.991 (440mg) | Biossimilar disp. | Farmácias out/2025 |
| Daratumumabe | Anticorpo monoclonal anti-CD38 | EV/SC | ~3% | Sob negociação contratual | Sem biossimilar | CMED 2025 |
| Lenalidomida | Imunomodulador | Oral | ~2% | Genérico disponível | Genérico disp. | ANVISA 2025 |
| Oxaliplatina | Platina citotóxico | EV | ~1,5% | Genérico disponível | Genérico disp. | ANVISA 2025 |
| Paclitaxel | Taxano | EV | ~1,2% | Genérico disponível | Genérico disp. | ANVISA 2025 |
Quatro alavancas. 15 prestadores. R$ 328 milhões de saving anual. Horizonte de 12 meses.
Padronização das Tabelas Próprias
A base Evodux identificou aproximadamente 10.000 itens cadastrados com padronizações distintas entre prestadores. A unificação com nomenclatura padronizada e preços-referência vinculados ao CMED cria a base para automatização da auditoria de faturamento e permite identificar automaticamente os 57,3% de guias pagas acima do contratado.
Recontração dos 15 Prestadores da Curva A
Quinze prestadores respondem por 80% dos custos oncológicos em SP, RJ, DF, BA e PE. A recontração inclui teto de mark-up por classe terapêutica, vinculação ao preço de nota fiscal para drogas acima de determinado valor unitário e migração para pagamento por miligrama. O total de prestadores habilitados para oncologia no Brasil é de 2.817.
Protocolo de Substituição por Biossimilares
Aproximadamente 40% das drogas de referência faturadas possuem substitutos aprovados pela ANVISA com custo entre 70% e 80% menor por unidade. O protocolo define os critérios de elegibilidade clínica para substituição e cria a base para auditoria do cumprimento.
Dispensação Direta de Drogas Orais e Subcutâneas
Drogas orais e subcutâneas representam 30% dos custos de quimioterapia ambulatorial e não exigem infraestrutura hospitalar. A aquisição direta pela operadora e a dispensação por canal próprio ou parceiro permite controle sobre a molécula, a dose e o custo por indicação nesse subgrupo.
Exhibit 7 | Curva de saving acumulado por implementação sequencial das quatro alavancas | Horizonte de 7 meses | Análise Evodux
A projeção considera implementação sequencial ao longo de sete meses. No sétimo mês, o saving mensal estimado é de R$ 40 milhões, equivalente a 23% do custo mensal de referência.
Os três vetores analisados neste estudo não estiveram presentes simultaneamente em nenhum ciclo anterior de alta de custo oncológico na saúde suplementar brasileira.
A análise Evodux de 133.832 guias registrou crescimento de 74% no custo total em 12 meses, com 19.244 pacientes ativos em tratamento. O ticket médio por sessão passou de R$ 10.215 para R$ 13.663. O custo com medicamentos no setor superou R$ 20 bilhões em 2024, contra R$ 12,8 bilhões em 2019.
Cooperativas que controlam diretamente o medicamento oncológico operam com ticket médio de R$ 4.950 por sessão. A diferença em relação ao ticket registrado na análise Evodux é de 2,76 vezes.
1. Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Panorama das Despesas com Medicamentos na Saúde Suplementar Brasileira. São Paulo: IESS, 2024.
2. Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). TD 119: Expansão das terapias imunobiológicas nos planos de saúde. São Paulo: IESS, 2025.
3. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Dados Econômico-Financeiros de 2025. Rio de Janeiro: ANS, 2026.
4. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Retrospectiva 2025. Rio de Janeiro: ANS, 2025.
5. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2023–2025. Rio de Janeiro: INCA, 2023.
6. Observatório de Oncologia. Quanto custa tratar um paciente com câncer no SUS. São Paulo, 2025.
7. Chen S. et al. Estimates and Projections of the Global Economic Cost of 29 Cancers. JAMA Oncology, v. 9, n. 5, 2023.
8. Evodux Health Intelligence. Análise primária de faturamento oncológico ambulatorial. Base anonimizada, 133.832 guias, 2022–2025.
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