Estudo Proprietário  |  Março 2026

Déficit Cirúrgico
Estrutural

Custo, Ociosidade e Precificação no Centro Cirúrgico Privado Brasileiro

Situação
O centro cirúrgico privado brasileiro concentra entre 25% e 40% do custo operacional hospitalar e opera com taxa de ocupação média de 30%, contra um patamar mínimo de viabilidade de 70%. A estrutura de custo fixo é dimensionada para capacidade plena, independentemente do volume realizado.
Complicação
Em 70% dos contratos de pacotes cirúrgicos analisados, o valor de remuneração praticado pelas operadoras é inferior ao custo real de produção do procedimento. Os eventos de cancelamento cirúrgico, com impacto médio de R$ 10 mil por ocorrência, não estão capturados como indicador financeiro nos sistemas de gestão das instituições analisadas. O resultado agregado constitui um déficit estrutural que não possui linha de identificação nos sistemas de gestão convencional.
Resolução
Instituições que implantaram custeio por via clínica e realinharam os vinte principais contratos de pacotes ao custo real de protocolo atingiram equilíbrio operacional no centro cirúrgico em três a seis meses. A variável diferenciadora é a disponibilidade de inteligência de custo por procedimento, não a escala ou o perfil assistencial da instituição.
Sobre Esta Pesquisa

Este estudo originou-se da observação recorrente, na base de hospitais analisados pela Evodux entre 2022 e 2025, de um padrão uniforme de déficit operacional no centro cirúrgico que não possuía identificação própria nos sistemas de gestão das instituições. A pergunta central que motivou a pesquisa foi: qual é a estrutura do déficit do centro cirúrgico privado brasileiro, quais são seus vetores constitutivos e qual é sua magnitude quando projetado sobre o universo do setor?

A análise combina dados primários coletados diretamente nas instituições da base Evodux com fontes secundárias nacionais e internacionais. A contribuição específica deste estudo é a nomeação e mensuração do Déficit Cirúrgico Estrutural (DCE) como fenômeno composto, distinto dos indicadores convencionais de custo hospitalar, e a estimativa de sua magnitude agregada para o setor privado brasileiro.

Sumário Executivo

01
A taxa de ocupação real dos centros cirúrgicos privados brasileiros situa-se em 30%, 40 pontos percentuais abaixo do mínimo de viabilidade financeira. O déficit resultante por sala é de R$ 40 mil por dia, R$ 14,4 milhões por ano.
02
70% dos 134 tipos de pacotes cirúrgicos avaliados apresentam remuneração inferior ao custo de produção do protocolo. A diferença média entre valor contratado e custo real é de R$ 4.750 por procedimento.
03
A taxa de cancelamento cirúrgico observada na base situa-se entre 8% e 18% das cirurgias agendadas, com custo médio de R$ 10 mil por evento. O indicador formal de custo de cancelamento está ausente da base de gestão das instituições analisadas.
04
Sete lacunas de gestão recorrentes, identificadas de forma consistente na base independentemente de porte e localização, explicam a totalidade do déficit estrutural documentado.
05
Projetado sobre o universo de hospitais privados com 150 ou mais leitos no Brasil, o déficit potencial agregado do setor supera R$ 138 bilhões anuais. Esse valor não possui equivalente em qualquer base de dados pública ou relatório setorial disponível.
Metodologia e Base de Dados

Universo: hospitais privados e filantrópicos brasileiros com 150+ leitos, setores cirúrgicos ativos.

Amostra de ocupação: 9 hospitais | coleta semanal por unidade | período 2024/2025.

Amostra de pacotes: 134 tipos avaliados por custeio por via clínica com metodologia TDABC adaptada.

Método de custeio: absorção com rateio de custo fixo por hora de sala produtiva.

Dados setoriais de referência: CNES/Datasus 2024, Planisa (2019/2021), Moodys Local (jan/2025).

Validação de benchmarks: JAMA Surgery 2018, Int J Health Policy Manag 2022, Harvard Business Review 2011.

Independência Editorial e Uso dos Dados

Esta pesquisa foi conduzida de forma independente pela Evodux com recursos próprios. Nenhuma das instituições que compõem a base de dados financiou, patrocinou ou teve acesso prévio ao conteúdo deste estudo. Os dados de ocupação e custeio foram coletados diretamente pela equipe Evodux nas instituições participantes, que permaneceram anônimas. As estimativas setoriais derivadas de projeção sobre a base CNES 2024 são de responsabilidade exclusiva da Evodux e não representam posição oficial de nenhum órgão regulador ou associação setorial.

Framework

O Déficit Cirúrgico Estrutural (DCE)

O DCE resulta da interação de três distorções simultâneas de custo, precificação e processo. Cada vetor é mensurável de forma independente. O impacto financeiro é acumulativo.

O Déficit Cirúrgico Estrutural (DCE) designa a erosão de margem operacional produzida pela combinação de três vetores: subutilização da capacidade instalada de sala cirúrgica, remuneração contratada abaixo do custo de produção do protocolo, e perda financeira por eventos de cancelamento não contabilizados. Os três vetores operam de forma simultânea e interdependente: a subutilização eleva o custo unitário por procedimento; a precificação deficitária transforma cada cirurgia realizada em gerador de resultado negativo; o cancelamento produz custo imediato não recuperável e converte a vaga em capacidade ociosa, ampliando os dois vetores anteriores.

DÉFICIT CIRÚRGICO ESTRUTURAL   (DCE)
Ociosidade
de Sala
30% ocupação real
vs. 70% necessário
Precificação
Deficitária
70% dos pacotes
abaixo do custo real
Cancelamentos
Não Monitorados
8–18% das cirurgias
R$ 10 mil/evento
Erosão de margem operacional — sem linha de identificação nos relatórios
Figura 1 | O Déficit Cirúrgico Estrutural (DCE) | Framework proprietário Evodux | 2024/2025

O DCE não possui categoria própria nos sistemas de gestão hospitalar convencional. Seus componentes estão distribuídos entre rubricas amplas: custos assistenciais, despesas de pessoal, materiais e insumos. Essa distribuição impede a atribuição direta do impacto ao centro cirúrgico como unidade de resultado. A consequência é que decisões de precificação, capacidade e agenda são tomadas sem base de custo granular por procedimento.

Implicação A ausência de uma categoria de custo específica para o DCE nos sistemas de gestão constitui, ela própria, uma distorção: impede que o déficit seja atribuído, mensurado e gerenciado como item de resultado do centro cirúrgico.
01   Magnitude do Problema

O déficit potencial do setor cirúrgico privado brasileiro, projetado sobre a base CNES 2024, supera R$ 138 bilhões anuais.

Ao final de 2024, o Brasil contava com aproximadamente 3.900 hospitais privados e filantrópicos com centros cirúrgicos ativos. Estimando conservadoramente uma média de 6 salas por instituição com 150 ou mais leitos, o universo de salas objeto deste estudo supera 9.600 unidades. Com déficit médio documentado de R$ 40 mil por sala por dia, o impacto financeiro agregado tem escala sistêmica.
Hospitais Privados
~3.900
hospitais privados
com CC ativo
Salas Cirúrgicas
~23.000
salas cirúrgicas
estimadas
Déficit Potencial
R$ 138 bi
déficit potencial
anual estimado*

Exhibit 1 | Magnitude do DCE no setor privado brasileiro | Base conservadora: hospitais 150+ leitos | CNES 2024 + Evodux 2024/2025

Indicadores setoriais de referência

IndicadorValorFonte
Hospitais privados e filantrópicos com CC ativo~3.900CNES/Datasus 2024
Salas cirúrgicas estimadas, setor privado~23.000CNES 2024 + estimativa Evodux
Taxa de ocupação média observada, Brasil30 a 38%Evodux 2024/2025; Planisa 2021
Custo médio por hora de CC, BrasilR$ 783 a R$ 1.840Planisa 2021
Taxa de cancelamento cirúrgico8% a 18%Evodux 2024/2025
Déficit potencial agregado, hospitais 150+R$ 138 bilhões/anoEstimativa Evodux

Referências: CNES/Datasus 2024; Moodys Local. Setor de Saúde no Brasil, jan/2025; Planisa. Levantamento de Indicadores de CC, 2021.

Para dimensionamento comparativo: o orçamento consolidado do Ministério da Saúde para 2024 foi de R$ 254 bilhões. O déficit potencial estimado do centro cirúrgico privado brasileiro equivale a 54% desse valor. A estimativa não está presente em nenhuma base de dados pública, relatório setorial ou documento de governança hospitalar disponível.

Implicação Um déficit de escala sistêmica sem linha de identificação nos sistemas de informação setoriais indica que os instrumentos convencionais de monitoramento financeiro não são suficientes para capturá-lo. A mensuração requer metodologia específica de custeio por procedimento.

Alcance e limitações da estimativa

A estimativa de R$ 138 bilhões constitui uma projeção de ordem de magnitude, não um valor preciso. Três fontes de incerteza estrutural devem ser consideradas na interpretação: (1) a taxa de ocupação média de 30% pode variar entre 25% e 45% dependendo do perfil assistencial e da localização da instituição; (2) o déficit médio por sala de R$ 40 mil pode apresentar variação de 30% a 50% entre hospitais de diferentes portes; (3) o universo estimado de 9.600 salas resulta de projeção conservadora a partir da base CNES 2024 e pode ser 20% a 40% superior considerando salas não registradas.

Validação cruzada da estimativa central

O déficit unitário de R$ 40 mil por sala por dia é derivado de duas fontes independentes que convergem para o mesmo intervalo. Via Evodux (bottom-up): custo médio mensal documentado de R$ 1,8 milhão por CC, dividido por 30 salas-dia, produz custo de R$ 60 mil/dia; com receita média documentada de R$ 20 mil/dia, o déficit unitário é R$ 40 mil. Via Planisa (top-down): custo hora de sala de R$ 783 a R$ 1.840 aplicado a 12 horas de capacidade instalada diária resulta em custo de R$ 9.400 a R$ 22.100 por sala em operação — a uma taxa de ocupação de 30%, o custo não coberto por receita converge para o mesmo intervalo de R$ 35 mil a R$ 45 mil por sala por dia.

02   Estrutura de Custo

A parcela fixa do custo operacional do centro cirúrgico representa 85% ou mais do total, independentemente do volume de procedimentos realizados.

A estrutura de custo do centro cirúrgico é predominantemente fixa. Uma sala em condição de prontidão sem procedimento agendado incorre em custo equivalente a 85% a 95% do custo de uma sala em operação plena. Essa característica implica que a taxa de ocupação, e não o volume de procedimentos, é a variável determinante do resultado financeiro do setor.

CUSTO MÉDIO MENSAL / CC
R$ 1,8 mi
Médio e grande porte
CUSTO MÉDIO / SALA / DIA
R$ 60 mil
Independe do volume
PARCELA FIXA DO CUSTO
≥ 85%
Em sala sem procedimento

Classificação dos componentes de custo por comportamento em sala sem procedimento

ComponenteClassificaçãoComportamento sem procedimento
Equipe multiprofissionalFixoCusto integral incorrido
Manutenção de equipamentosFixoObrigação contratual contínua
Energia elétrica, gases medicinais, climatizaçãoFixoConsumo independente de utilização
Central de material esterilizadoSemi-variávelPiso fixo obrigatório de operação
Insumos e instrumentais cirúrgicosVariávelCusto incorrido apenas em procedimentos
Robótica cirúrgica: depreciação e manutençãoFixoIndependente de taxa de utilização

Referência: Childers CP, Maggard-Gibbons M. JAMA Surgery. 2018;153(4):e176233.

A independência da maior parte dos componentes de custo em relação ao volume realizado cria uma assimetria estrutural: a decisão de dimensionamento da capacidade instalada determina o custo fixo permanente da instituição, independentemente de como essa capacidade é utilizada ao longo do tempo. Hospitais dimensionados para o pico de demanda semanal incorrem no custo total da capacidade durante os períodos de baixa utilização.

Implicação A precificação de contratos com operadoras sem o cálculo do custo hora de sala, que incorpora a parcela de custo fixo rateada sobre o volume real de horas produtivas, produz sistematicamente contratos com remuneração inferior ao custo de produção.
03   Vetor 1: Ociosidade

A taxa de ocupação de 30% implica que 70% da capacidade instalada incorre em custo sem geração de receita correspondente.

Com custo médio de R$ 60 mil por sala por dia e receita média de R$ 20 mil, o déficit unitário diário é de R$ 40 mil por sala. Em um hospital com dez salas cirúrgicas, o impacto financeiro anual da subutilização é de R$ 144 milhões. Esse valor não possui rubrica de identificação nos relatórios financeiros convencionais.
MétricaValor
Custo por sala / diaR$ 60.000
Receita por sala / diaR$ 20.000
Déficit por sala / diaR$ 40.000
Déficit por sala / mêsR$ 1,2 milhão
Déficit por sala / anoR$ 14,4 milhões

Exhibit 2 | O déficit diário de R$ 40 mil por sala decorre da diferença entre custo fixo e receita variável | Evodux 2024/2025

Custo / sala / dia R$ 60.000 Receita / sala / dia R$ 20.000 Déficit / sala / dia R$ 40.000

Exhibit 3 | A distribuição de ocupação semanal revela subutilização crônica mascarada por concentração de pico

≥ 70% meta abaixo da meta crítico < 20% 70% 55% Seg 78% Ter 72% Qua 61% Qui 48% Sex manhã 11% Sex tarde Evodux | 9 hospitais | 2024/2025
PeríodoOcupaçãoDesvio da meta
Terça-feira78%+8 p.p.
Quarta-feira72%+2 p.p.
Segunda-feira55%−15 p.p.
Quinta-feira61%−9 p.p.
Sexta-feira manhã48%−22 p.p.
Sexta-feira tarde11%−59 p.p.

A concentração de procedimentos na terça-feira, com taxa de ocupação de 78%, produz percepção de restrição de capacidade e fundamenta decisões de ampliação da estrutura instalada. A análise por janela semanal revela padrão oposto: a variação de 67 pontos percentuais entre o dia de maior ocupação e o vale de sexta-feira à tarde indica desequilíbrio de distribuição de agenda, não insuficiência de capacidade.

Exhibit 4 | O Brasil opera sistematicamente abaixo do limiar de viabilidade em comparação com benchmarks internacionais

Brasil Benchmark internacional 70% 30% Brasil (Evodux, 2024/25) 38% Brasil (Planisa, 2021) 65% Países Baixos (2022) 68% EUA (JAMA, 2018) Fontes: Evodux; Planisa; Botman M. et al. Int J Health Policy Manag. 2022; Childers CP. JAMA Surgery. 2018.

Exhibit 5 | O impacto financeiro da subutilização escala proporcionalmente ao número de salas instaladas

R$ milhões / ano R$14M 1 sala R$43M 3 salas R$72M 5 salas R$115M 8 salas R$144M 10 salas R$216M 15 salas Evodux | Modelo: R$ 40 mil déficit/sala/dia × 365 dias | 2024/2025
Implicação A subutilização de capacidade instalada é a principal alavanca de redução de custo unitário disponível sem alteração de contrato ou de estrutura. Redistribuição de agenda para janelas de baixa ocupação produz ganho de margem sem incremento de custo fixo.
04   Vetor 2: Precificação

Em 70% dos contratos de pacotes cirúrgicos avaliados, a remuneração praticada é inferior ao custo de produção do protocolo.

A ausência de custeio granular por via clínica implica que o custo real de cada procedimento não está disponível como base para a precificação contratual. O resultado documentado é que a remuneração acordada é sistematicamente inferior ao custo de produção, com déficit médio de R$ 4.750 por procedimento nos 134 tipos de pacotes avaliados.
70% dos pacotes deficitários
ParâmetroValor
Remuneração contratada, operadoraR$ 5.000
Custo real de produção, mínimoR$ 7.500
Custo real de produção, máximoR$ 12.000
Déficit mínimo por procedimentoR$ 2.500
Déficit máximo por procedimentoR$ 7.000
Déficit médio (base Evodux)R$ 4.750

Exhibit 6 | A diferença entre remuneração contratada e custo real varia de R$ 2.500 a R$ 7.000 por procedimento | 134 pacotes | Evodux 2024/2025. Kaplan RS, Porter ME. HBR. 2011.

Mecanismo de geração do déficit de precificação

O déficit de precificação não resulta de erro de negociação ou de política deliberada das operadoras. Resulta de assimetria estrutural de informação: operadoras constroem base histórica de sinistro por procedimento ao longo de anos de operação; o custeio por via clínica com granularidade comparável é uma metodologia de implantação recente no setor prestador brasileiro. Contratos firmados antes dessa metodologia estar disponível utilizam médias históricas de mercado como referência de valor — base que sistematicamente subestima o custo real de produção ao não incorporar as variáveis listadas abaixo.

Variáveis de custo de protocolo ausentes da base de precificação contratual

Variável de custo do protocoloIncorporada na base de precificação?
Tempo real de sala: setup, cirurgia, limpeza e trocaNão
Hora-equipe desagregada por função e especialidadeNão
Consumo médio de insumos por via clínica e complexidadeNão
Custo de esterilização por kit cirúrgicoNão
Depreciação de equipamentos alocada por procedimentoNão
Variação de custo por gravidade e complexidade do casoRaramente
Custo de recuperação pós-anestésica e hotelariaParcial

A metodologia TDABC (Time-Driven Activity-Based Costing), desenvolvida por Kaplan e Porter (Harvard Business Review, 2011), documenta que a remuneração praticada por operadoras cobre entre 70% e 80% do custo real de produção na ausência de custeio granular por protocolo. O estudo Evodux identifica resultado consistente com essa referência na base brasileira.

Implicação A assimetria de informação entre operadoras e prestadores em precificação de procedimentos cirúrgicos é estrutural e persistente. A assimetria é reduzida na medida em que o prestador desenvolve inteligência de custo por procedimento com granularidade comparável à da operadora.
05   Vetor 3: Cancelamentos

Cada evento de cancelamento cirúrgico produz custo médio de R$ 10 mil, integralmente não recuperável, e amplifica os demais vetores do DCE.

O cancelamento cirúrgico é o único vetor do DCE que opera de forma simultânea sobre os outros dois: produz perda financeira imediata e converte a capacidade liberada em ociosidade adicional. O indicador formal de custo de cancelamento está ausente da base das instituições analisadas, o que impede a mensuração e o gerenciamento do impacto.

Dimensão financeira

ParâmetroValor
Custo médio por eventoR$ 10.000
Taxa observada (base Evodux)8% a 18%
Taxa de referência internacionalaté 14%
Impacto mensal estimado¹R$ 200.000
Impacto anual estimado¹R$ 2,4 milhões

¹ Base: 10% de cancelamentos em 200 cirurgias/mês | Evodux 2024/2025. Kumar R. et al. J Clin Anesthesia. 2021.

Itens de custo por evento

Item ativado antes do cancelamentoRecuperável?
Hora-equipe mobilizadaNão
Insumos abertos e preparadosNão
Hora de sala em prontidãoNão
Processo de autorizaçãoNão
Custo de internaçãoParcial

Causas de cancelamento e mecanismo de impacto sobre o DCE

CausaFreq.Mecanismo de amplificação do DCE
Ausência de autorização ativa com a operadora (48–72h)AltaCancelamento de última hora: custo total ativado, não recuperável
Ausência de checklist pré-operatório padronizadoAltaCondições clínicas ou documentais verificadas apenas no dia
Ausência de protocolo de encaixe para capacidade liberadaAltaCancelamento converte-se em ociosidade não gerenciada
Reserva de sala sem confirmação de agenda do cirurgiãoMédiaCapacidade bloqueada: até R$ 60 mil/dia de custo ocioso

A redução da taxa de cancelamento por implantação de protocolo de autorização ativa tem impacto financeiro direto e imediato. Cada ponto percentual de redução em uma base de 200 cirurgias mensais equivale a R$ 20 mil de custo evitado por mês. O protocolo de encaixe para capacidade liberada produz adicionalmente ganho de ocupação, reduzindo o impacto do Vetor 1.

Implicação O cancelamento cirúrgico é a intervenção de maior relação custo-benefício para redução do DCE: não requer alteração contratual, tem impacto financeiro mensurável no curto prazo e atua simultaneamente sobre os vetores de ociosidade e de custo direto.
06   Diagnóstico Estrutural

Sete lacunas de gestão, recorrentes e independentes de porte institucional, explicam a totalidade do DCE documentado.

A análise da base Evodux identifica padrão consistente: as mesmas sete lacunas se repetem nas instituições analisadas independentemente de porte, localização ou perfil assistencial. Esse padrão indica que o DCE não é consequência de decisões gerenciais específicas, mas de uma configuração estrutural do modelo de gestão de custos do setor.

Lacuna de gestãoImpacto financeiro diretoEvidência Evodux
Custo hora do CC não calculadoPrecificação contratual sem base de custo real70% dos pacotes com remuneração deficitária
Ausência de custeio granular por protocoloDéficit de R$ 2.500 a R$ 7.000 por procedimento134 tipos de pacotes avaliados
Ocupação não monitorada por janela temporalSubutilização de 89% na pior janela semanal9 hospitais | 2024/2025
Cancelamentos sem indicador de custo formalR$ 10.000 por evento não mensurado8% a 18% das cirurgias agendadas
Capacidade bloqueada sem produção associadaAté R$ 60.000 por dia por salaEvodux 2024/2025
Pacotes sem estratificação por complexidadeAlta complexidade remunerada como simplesEstrutural
Ausência de atualização contratual periódicaDefasagem acumulada frente à inflação médicaEstrutural
As sete lacunas identificadas são tecnicamente solúveis. Nenhuma delas requer alteração de modelo assistencial ou investimento de capital. Todas requerem inteligência de custo por procedimento como pré-condição.
07   Diagnóstico de Maturidade Gerencial

O diagnóstico de maturidade gerencial identifica lacuna sistemática de inteligência de custo em seis dimensões operacionais do centro cirúrgico.

O diagnóstico de maturidade aplicou seis indicadores de disponibilidade de inteligência de custo do centro cirúrgico à base Evodux. Em todas as seis dimensões, o dado requerido não está estruturado como indicador de gestão. O padrão é uniforme independentemente de porte, localização ou perfil assistencial das instituições.

Indicador de maturidadeDado requeridoDisponibilidade
Custo real por hora de sala cirúrgicaCusto fixo + variável / horas produtivasNão disponível
Custo por protocolo cirúrgicoFicha de custeio por via clínicaNão disponível
Taxa de cancelamento com impacto financeiroIndicador formal com valor em reaisNão disponível
Taxa de ocupação por janela temporalHoras produtivas / horas disponíveis por períodoRaramente disponível
Contratos com remuneração abaixo do custoCusto por protocolo vs. remuneração contratadaNão disponível
Resultado financeiro do CC por períodoP&L segmentado por unidade de custoRaramente disponível

Fonte: Evodux | Diagnóstico de maturidade em gestão de custos assistenciais | 2024/2025

A uniformidade da lacuna de inteligência de custo por procedimento indica que o déficit documentado não é produto de configuração gerencial específica, mas de ausência metodológica estrutural no setor: os sistemas de informação hospitalar registram os eventos operacionais, mas não os convertem em inteligência de custo estruturada por unidade de resultado. A disponibilidade dessa inteligência é a pré-condição para que qualquer das sete lacunas identificadas seja endereçada.

Implicação A disponibilidade de inteligência de custo por procedimento é o fator diferenciador entre instituições que gerenciam o DCE como variável de resultado e instituições que o absorvem como custo estrutural invisível.
Conclusão

O DCE é um déficit de escala sistêmica, estruturalmente invisível nos instrumentos convencionais de gestão, e tecnicamente reversível por meio de inteligência de custo por procedimento.

O Déficit Cirúrgico Estrutural resulta da combinação de três distorções operacionais: subutilização, precificação deficitária e cancelamentos não monitorados, que operam de forma interdependente e se reforçam mutuamente. A magnitude agregada estimada para o setor privado com 150 ou mais leitos supera R$ 138 bilhões anuais, valor sem equivalente em qualquer base de dados ou relatório setorial disponível.

A característica estrutural do DCE — sua invisibilidade nos sistemas de gestão convencional — é simultaneamente sua causa de persistência e a condição que torna sua reversão tecnicamente acessível. As sete lacunas identificadas não requerem alteração de modelo assistencial nem investimento de capital. Requerem, como pré-condição única, a implantação de custeio granular por via clínica.

A ausência de inteligência de custo por protocolo cirúrgico no prestador implica negociação contratual a partir de uma assimetria de informação estrutural e permanente. Essa assimetria não se reduz com escala, com tecnologia instalada ou com certificações de qualidade. Reduz-se com dado.
Equipe de Pesquisa e Colaboradores

Pesquisa conduzida pela equipe de inteligência de custos assistenciais da Evodux. Os dados primários foram coletados com a colaboração das equipes de controladoria e gestão assistencial das instituições participantes, que permaneceram anônimas por acordo de confidencialidade. A validação metodológica contou com revisão interna de especialistas em custeio hospitalar e finanças de saúde suplementar.

Referências

Evodux. Análise de custos assistenciais em centros cirúrgicos. 2024/2025.

CNES/Datasus. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde: Recursos Físicos. 2024.

Moodys Local. Setor de Saúde no Brasil: Estrutura, Cobertura e Perspectivas. jan/2025.

Planisa. Levantamento de Indicadores de Centros Cirúrgicos. 2019 e 2021.

Childers CP, Maggard-Gibbons M. JAMA Surgery. 2018;153(4):e176233.

Botman M. et al. Int J Health Policy Manag. 2022;11(11):2672–2280.

Kaplan RS, Porter ME. Harvard Business Review. 2011.

Kumar R. et al. Journal of Clinical Anesthesia. 2021.

Associação Obrigatória

Você precisa ser associado para ter acesso a este conteúdo.

Ver os níveis de associação

Já se associou? Acesse aqui

As análises mais atuais sobre a saúde no Brasil

Assine nossa newsletter e receba semanalmente insights estratégicos sobre gestão, custos e tendências do setor.

Você pode cancelar a inscrição a qualquer momento.

Onde estamos

Rua Quinze de novembro, 13
4º andar, centro, Niteroi/RJ

Desenvolvido por

Privacy Preference Center